Carnaval    
Grupo Especial

G. R. E. S. UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR

G. R. E. S. IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

Título: “DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, O CAVALEIRO DOS SONHOS IMPOSSÍVEIS”

Autores:
Grassano – Gabriel Fraga – Márcio André Filho – João Bosco – Arlindo Neto – Gugu das Candongas – Marquinhus do Banjo – Barbosão – Ito Melodia – Léo da Ilha

Intérprete: Ito Melodia

VOLTOU A ILHA
DELIRA O POVO DE ALEGRIA
NESSA FOLIA SOU FIDALGO, SOU LEITOR
CAVALEIRO SONHADOR
MEU MUNDO É DE MAGIA
VOU CAVALGAR NO ROCINANTE
MEU ESCUDEIRO É SANCHO PANÇA
SE DULCINÉIA É MEU AMOR
QUEM EU SOU?
SOU DOM QUIXOTE DE LA MANCHA

O GIGANTE MOINHO ME VIU DEU NO PÉ
O POVO GRITA..OLÉ
NESSE FEITIÇO TEM CASTANHOLA
A BATERIA HOJE DEITA E ROLA

VESTI A FANTASIA, FUI À LUTA
VENCI MANADAS, REBANHOS
FIZ DE UMA BACIA, MEU ELMO DE GLÓRIAS
MEUS LIVROS SE PERDERAM PELA HISTÓRIA
ENFIM, FUI VENCIDO PELO BRANCA LUA
VOLTEI PRA CASA ESQUECENDO AS AVENTURAS
O TEMPO FICOU COM MEUS IDEAIS
QUIMERAS SÃO IMORTAIS

A ILHA VEM CANTAR
MAIS UM SONHO IMPOSSÍVEL... SONHAR!
QUEM É QUE NÃO TEM, UMA LOUCA ILUSÃO
E UM QUIXOTE NO SEU CORAÇÃO
 

Presidente da Escola: Ney Filardi
Quadra da Escola: Estrada do Galeão, 322 – Cacuia – Ilha do Governador
Tel.:
3396-8169
Home Page:
www.gresuniaodailha.com.br
Arranjo/Regência: Jorge Cardoso
Participação Especial: Coro da Comunidade do G.R.E.S União da Ilha do Governador
Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda.

 

 

Titulo:BRASIL DE TODOS OS DEUSES

Autores: Jeferson Lima – Flavinho - Gil Branco - Me Leva
- Guga

Intérprete: Dominguinhos do Estácio

TERRA ABENÇOADA!
MORADA DIVINAL
BRILHA A COROA SAGRADA
REINA TUPÃ, NO CARNAVAL…
VIU NASCER

A DEVOÇÃO EM CADA AMANHECER
VIU BRILHAR A IMENSIDÃO DE CADA OLHAR
NUM PAÍS DA COR DA MISCIGENAÇÃO
DE TANTO DEUS, TANTA RELIGIÃO
PRO POVO, FELIZ, CULTUAR

O ÍNDIO DANÇOU, EM ADORAÇÃO
O BRANCO REZOU NA CRUZ DO CRISTÃO
O NEGRO LOUVOU OS SEUS ORIXÁS
A LUZ DE DEUS É A CHAMA DA PAZ

E SOB AS BÊNÇÃOS DO CÉU
E O VÉU DO LUAR
NAVEGARAM IMIGRANTES
DE TÃO DISTANTE, PRA SEMEAR
TRAÇOS DE TRADIÇÕES,

LAÇOS DAS RELIGIÕES
OH, DEUS PAI! ILUMINAI O NOVO DIA
GUIAI AO DIVINO DESTINO
SEUS PREGRINOS EM HARMONIA
A FÉ ENCHE A VIDA DE ESPERANÇA
NA INFINITA ALIANÇA
TRAZ CONFIANÇA AO CAMINHAR
E A GENTE ROMEIRA, VALENTE E FESTEIRA
SEGUE A ACREDITAR…

A IMPERATRIZ É UM MAR DE FIÉIS
NO ALTAR DO SAMBA, EM ORAÇÃO
É O BRASIL DE TODOS OS DEUSES!
DE PAZ, AMOR E UNIÃO…
 

Presidente da Escola: Luiz Pacheco Drummond
Quadra da Escola: Rua Prof. Lacê, 235 - Ramos
Tels: 2560-8037
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Arranjo /Regência: Jorge Cardoso
Participação Especial: Coro da Comunidade do G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense
Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda.

G. R. E. S. UNIDOS DA TIJUCA
G. R. E. S. VIRADOURO

Titulo: “É SEGREDO!”

Autores:
Julio Alves – Totonho – Marcelinho Calil

Interprete: Bruno Ribas

DESVENDAR ESSE MISTÉRIO
É CASO SÉRIO, QUEM SE ARRISCA A PROCURAR
O DESCONHECIDO, NO TEMPO PERDIDO
AQUELE PERGAMINHO MILENAR
SÃO CINZAS NA POEIRA DA MEMÓRIA
E BRINCAM COM A IMAGINAÇÃO
UNIDOS DA TIJUCA, NÃO É SEGREDO EU AMAR VOCÊ
DECIFRAR, ISSO EU NÃO SEI DIZER
SÃO COISAS DO MEU CORAÇÃO

EU QUERO VER ESSE LUGAR
QUE O PRÓPRIO TEMPO ACABOU DE ESQUECER
MEU DEUS, POR ONDE VOU PROCURAR
SERÁ QUE ALGUÉM PODE ME RESPONDER

QUEM SOME NA MULTIDÃO
ESCONDE A SUA VERDADE
IMAGINAÇÃO, O HERÓI JAMAIS REVELA A IDENTIDADE
SERÁ O MASCARADO
NESSE BAILADO UM FOLIÃO?
A SENHA, O SEGREDO DA VIDA
A CHAVE PERDIDA É O "X" DA QUESTÃO
CUIDADO, O QUE SE VÊ PODE NÃO SER... SERÁ?
AO ENTENDER É MELHOR REVELAR
NO SONHO DO MEU CARNAVAL
PARE PRA PENSAR, VAI SE TRANSFORMAR
OU ESCONDER ATÉ O FINAL?

É SEGREDO, NÃO CONTO A NINGUÉM
SOU TIJUCA, VOU ALÉM
O SEU OLHAR, VOU ILUDIR
A TENTAÇÃO É DESCOBRIR

Presidente da Escola: Fernando Horta
Quadra da Escola: Rua Francisco Bicalho, 47 - Centro
Tel.: 2516-2749
Home Page:
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Arranjo /Regência: Alceu Maia
Participação Especial: Coro da Comunidade do G.R.E.S. Unidos da Tijuca
Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda.

 

 


 

Título: “MÉXICO, O PARAÍSO DAS CORES, SOB O SIGNO DO SOL”

Autores:
Floriano do Caranguejo – Gustavo Marbella – Sacadura Cabral

Intérprete: Wander Pires

Brilhou o quinto sol, o povo se manifesta
sopra um "vento mestiÇo", uma avenida em festa
traz o gÊnio que ilumina a canÇÃo
as cores que dÃo forma À "criaÇÃo"
chegou o Áureo tempo de reviver
a histÓria, o alvorecer, de uma naÇÃo guerreira
os templos sagrados vÃo resplandecer
palÁcios bordados irÃo renascer
obras de uma " vida inteira"
um dia sangra o chÃo, desejo do invasor
sofri na traiÇÃo do opressor

Chegam piratas, jÓias se vÃo
olhos "vidrados" em busca do ouro
pro fundo do mar vai a ambiÇÃo
ninguÉm vai levar o meu tesouro

Meu sangue eu entrego À terra, À liberdade
"o grito", vai raiar o sonho de felicidade!
A fÉ que desata os nÓs une a gente de novo
caudilhos guerreiros se abraÇam ao povo
ouve-se a voz da revoluÇÃo
sÃo dias pra guardar no coraÇÃo
eu vi a forÇa da arte popular
e com meus versos "colori" o azul do mar
ao sabor do tempero, receitas pra dar e vender
vi a cidade maior se render À magia de uma paixÃo
a dor da saudade vou festejar, É tradiÇÃo
hoje eu peÇo a sua benÇÃo, senhora do meu coraÇÃo!

Arriba Viradouro!
Uma tequila pra comemorar
um lenÇo vermelho, sombrero na mÃo
o MÉxico em cores vou cantar!

Presidente da Escola: Marco Antônio Lira de Almeida
Quadra da Escola: Avenida do Contorno, 16 – Barreto - Niterói
Tel.: 2628-7840
Home Page: www.unidosdoviradouro.com.br
Arranjo/Regência: Alceu Maia
Participação Especial: Coro da Comunidade do G.R.E.S Unidos do Viradouro
Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda.

G. R. E. S. SALGUEIRO

G. R. E. S. BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS

"Histórias Sem Fim"

Um dia, Johannes Gutemberg sonhou que queria ser livre, que queria ser livro. Queria ser palavra escrita, mudar o rumo da História. Ser história. Inquieto e curioso, começou a transformar seu sonho em realidade na Alemanha do século XV, quando pressionou o último bloco de chumbo sobre o papel e colocou o ponto final em sua obra-prima: a Bíblia impressa.  

- Deem-me 26 cavalinhos de chumbo e eu conquistarei o mundo!  

Conquista pelas palavras e pelos livros, agora impressos a partir de seus inventos e criações. Ficavam para trás rudimentares papiros, tipos chineses, pergaminhos, códices e os inacessíveis manuscritos copiados à mão por monges medievais. Os tipos móveis sujos de tinta, que um dia fizeram parte de seus sonhos, imprimem páginas de um novo e importante capítulo. A primeira impressão, que ficou para a eternidade.  

Estava aberto o portal para a divulgação de ideias e ideais que passaram a ser difundidos mundo afora. Senha para o início da era dos grandes livros, das maravilhosas Histórias Sem Fim! 

Mãos e máquinas à obra! As páginas impressas resgatam o passado glorioso de impérios erguidos sob o signo da compaixão e da fúria de heróis, mitos e deuses. Feitos épicos imortalizados em Epopeias que exaltam valores e virtudes de civilizações. As mesmas palavras edificadas às glórias humanas também descrevem o renascer de uma era, personificada na figura de um cavaleiro errante. Os moinhos de vento sopram os ares da esperança, guiando o homem a uma jornada espiritual rumo ao paraíso, por tortuosos caminhos...  <

... que conduzem o leitor às intrigas dos nobres encastelados e as revoluções da plebe nos poderosos reinos do velho mundo. Enredos de delírios de reis e rainhas, das tramas de um triângulo formado por donzelas, cavaleiros e cortesãs. É o tempo dos heróis de capa e espada, dos duelos em nome do coração da bela dama. Abrem-se as páginas de um romântico jogo de olhares na cena de um vilão cínico. Ligações perigosas descritas com minúcia em textos que revelam juras secretas, pactos, ódios, romances proibidos, suspiros, promessas de amor eterno...  

... que vão influenciar a literatura de um novo mundo, traduzida na face da fidalga portuguesa enamorada pelo nativo. Está consumado o enlace que forja o capítulo romântico de um Brasil miscigenado. Palavras que navegam sobre um mar de imagens poéticas, descrevendo a dramática travessia nos porões dos tumbeiros. Na embarcação, negros e negras que aqui aportam para transformar e fortalecer as raízes de uma nação. A cada obra, a crônica de um país que abriga a saga dos heróis mestiços, do Rio de Janeiro de tantos tipos urbanos e suburbanos, dos homens e mulheres da Bahia de São Salvador, dos valentes desbravadores de um sertão fértil de sonhos...  

... e devaneios literários evocados por palavras mágicas, adormecidas à sombra do livro da saudade: “Pirlimpimpim”, “Abre-te-Sésamo”, “Abracadabra!”. Num piscar de olhos, voamos ao tempo do “Era uma Vez... Uma outra vez!”. Adentramos o portal da fantasia. Aqui, a imaginação é a máquina veloz que nos leva a qualquer tempo, a qualquer lugar! Vamos botar o mundo de pernas pro ar em busca da trilha dos contos fantásticos e lá encontrar a cidade dos sonhos, o país das maravilhas, o universo das fábulas inesquecíveis. Veja: bonecos ganham vida... Ouça: a canção do herói favorito... Sinta: o pulsar da felicidade inocente nas histórias contadas pela avó... Quitutes de palavras que trazem cheiros e sabores da infância, escritas para sempre no coração. É a chave para despertar a criança que nunca deixou de existir em cada um de nós na grande aventura de brincar de viver em...  

... um instante: siga o conselho e tome fôlego antes de prosseguir. Pronto? Lá  vamos nós. Aqui começa nossa viagem pelo mundo da aventura e do suspense, com personagens e ações se sucedendo num ritmo alucinante para desvendar o intrigante enigma, encontrar o caminho para outras dimensões onde habitam monstros, bruxos e seres sobrenaturais transportados de tempos e espaços imaginários, guiados por engenhosas palavras que nos fazem prender a respiração e, num só fôlego, acompanhar todo o mistério que envolve a trama do primeiro ao último instante, conduzidos por pistas falsas, ciladas, tramas cruzadas, perigos, vilões acuados, quebra-cabeças de peças incompletas, fragmentos que aguçam a curiosidade num ritmo cada vez mais frenético, até que surge... ufa!

A reviravolta.

O desfecho.

A revelação.

“Como é que não pensei nisso antes?” A verdade estava diante dos nossos olhos...

... que avançam no tempo e leem um futuro escrito pelas tintas da incerteza. Ao perder o domínio sobre as máquinas que inventou, o homem vira refém da própria criação. São abertas as páginas das ficções revelando um planeta vigiado por olhos eletrônicos, a serviço do grande Deus-Máquina que zela por nós. Cérebros artificiais altamente avançados, capazes de viajar pelo universo e simular uma realidade tomada pelo caos num cenário futurista. Estaríamos diante do último capítulo dessa nova Odisseia? O futuro dirá...  

... que é  hora de abrir um novo capítulo, escrever sobre a página em branco a história que escolhermos. Recriar a própria biografia, desvendar no grande livro da vida o segredo da felicidade, do equilíbrio e da paz. Os ensinamentos da Filosofia que nos apontam os caminhos da sabedoria, das bem ou mal traçadas linhas escritas no livro místico do destino. Nascerá, enfim, a obra imortal onde haverá sempre um novo capítulo, uma nova edição. Um enredo infinito, recontado e ampliado cada vez que alguém folhear as páginas de tantas Histórias Sem...  

... Fim...  

Renato Lage e Departamento Cultural

Junho de 2009

 

"Brilhante ao sol do novo mundo,
Brasília do sonho à realidade,
a capital da esperança"

Reluz meu samba como cristal brilhante, a refletir neste instante, mais um sonho encantado, a emanar sua energia, como alvorada que anuncia o dia, resplandecendo o Planalto Central. 
 

Vai Beija-Flor aventureiro, abre as asas, abraça o cerrado brasileiro, traz Brasília em seu carnaval... 
 

Faz a anunciação da terra prometida, entressonhada e celestial, da divina visão de Dom Bosco, em sua viagem no espaço do tempo, nos paralelos do futuro virtual. E torna o mito “Goyaz”, uma verdade, uma história de amor pra eternidade, de Paranoá, guerreiro, um lago de lágrimas, de Jaci, um luar de paixão, a espreitar, num olhar azulado, a bela índia alada, que jaz, por Tupã enfeitiçada, deitada pra sempre em seu chão. 
 

Emerge do passado a sua herança, do coração do Egito, coincidência, inspiração... Aketaton, gêmea ancestral do deserto, que se esplanou em largos espaços abertos, em templos, “estelas”, em reverência ao sol, abrindo-se, feito asas, norte e sul, qual vôo de íbis, ave sagrada, em seu vôo na imensidão. 
 

Que se abram suas páginas de história, de desbravamento e bravura, de onde em busca de riquezas se ergueram bandeiras, que rasgaram o seu coração, que ainda criança, pulsava invisível e sereno, entre as matas desse sertão. 
 

Mostre que sempre foste um sentimento, sonho e predestinação, por ser de fato o centro, deste imenso florão e que da colônia ao império, adormeceste em ideais, como um ponto de vista de quem enxergou à frente, além da própria visão pois viste correr o tempo, entre tormentas, revoltas e insurreições e que da tempestade, sentiste os novos ventos, que ainda que tarde sopraram a liberdade e que após “o brado forte e retumbante”, o patriarca te batiza, de Brasília, afinal. 
 

Que da inquietude da República foste sempre um desejo, a ânsia de realizar, e foi assim disposta na carta magna, como um vislumbre, um definitivo olhar. Viste então a missão científica, em grande marcha para o Oeste desbravar, e a medida que ela avança, abrindo a terra agreste e mansa, veio então te visitar.

Traçaram em seu planalto, um quadrilátero, entre as tortas árvores do cerrado, fauna e flora a se revelar e das entranhas do seu solo rubro, rochas cristalinas que apontam e despontam ao sol a brilhar, de suas veredas, um seio que esbanja ricos mananciais, desnuda o seu berço esplêndido e líquido, sul e norte a desaguar. 
 

Por fim um marco te fecunda a terra, como sêmem de pedra, que do alto da serra vigia teu sono derradeiro e sob o imenso céu a contemplar o cruzeiro faz seu ventre guardar ternamente, o alvorecer do novo tempo brasileiro. 
 

Mas eis que do horizonte faz luzir a modernidade como um raio intenso e verdadeiro e de Minas sopra “Venturis”, varrendo os anos dourados, de esperança e prosperidade, e JK segue adiante, acordando enfim, o gigante, com seu ímpeto aventureiro. 
 

E um país se redescobre ao mirar-se no espelho do futuro, é o querer, a coragem, o poder e fazer... E uma caravana parte, épica, qual êxodo caboclo, epopéia de pioneiros, desterrados candangos, operários guerreiros, vários Brasis, num só Brasil que se juntam a construir e a crescer... 
 

De uma cruz esboçada em papel, ergue-se em aço uma cidade, elevando-se ao céu em silhueta de arrojo, um prodígio em traços simétricos, de volume e equilíbrio, abstrata e concreta, o contraste. Brasília nasce, num parto de vitória sobre as mentes conformistas e se faz triunfo de Juscelino, de Lúcio e Oscar, viva e ávida, pássaro dos sonhos, o próprio sonho querendo voar. E se mostra assim, branca de luz de sol de abril, de tantas mentes, de tantos braços, tanto suor, tantas lágrimas, de tantos, de todos nós, do Brasil! 
 

Hoje, do Sonho à realidade, ela brilha! E a cada alvorada, se reinventa e re-existe, virtual e jovem, eclética e mística, cidade criança e da esperança, a “esquina do Brasil”, Babel de sotaques, mistura, um caldeirão cultural, alfabética e numérica, superlativa, absoluta, sintética, artística, letra e música, Bossa, nova, nossa, capital... Somos todos partes desse corpo, da nave-mãe de asas abertas em seu imenso abraço norte e sul, como ave que hoje voa em nosso mundo encantado, a terra do carnaval. 
 

Somos todos “candangos” a construir um sonho, somos “calangos” irmãos sob o mesmo céu estrelado, somos você, Brasília, nas asas de um Beija-Flor que vem te beijar agora, como se fosse flor, A flor do cerrado! 
 

Alexandre Louzada, Fran Sérgio, Laíla e Ubiratan Silva

Comissão de Carnaval

2010

G. R. E. S. MOCIDADE INDEPENDENTE

G. R. E. S. MANGUEIRA

"Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura"
 

O Paraíso é a imagem primeira. 

Uma imagem da fartura e da felicidade; um sagrado jardim onde Deus semeou a fecundidade numa divina evocação da vida; um abençoado recanto sem doenças, sem inverno e sem envelhecimento, transmitindo uma mensagem simbólica e alegórica de paz e harmonia.   

A nostalgia deste estado de graça, arrancado em conseqüência de uma grave desobediência às leis do Criador, faz despertar no homem, desde tempos imemoriais, o desejo de encontrar o Paraíso perdido. 

Na Idade Média, alimentada por uma cruel realidade de fomes, epidemias e guerras devastadoras, essa nostalgia fez do Paraíso a própria antítese daquela realidade decadente e sombria; um “novo” começo onde a pobreza e a fome acabariam diante de uma terra “sem males”. 

Enquanto profetas e visionários desejavam “ver” o paraíso, cavaleiros e aventureiros se juntavam em fantásticas caravanas e partiam por terra em busca da “Fonte da Juventude Eterna e da Árvore da Vida”. 

Porém, novos ventos sopravam em direção ao “Velho Continente”. O pavor que o “inferno” e a crença na proximidade do “Fim dos tempos” provocavam ia ficando para trás diante de uma Europa entusiasmada com os renovados horizontes renascentistas. 

Os oceanos já não causavam tanto temor e, navegando rumo ao Oriente, poder-se-ia chegar às Índias, com seus mistérios e magia. Ainda, quem sabe, desembarcar nas fabulosas terras de Ofir, guardiãs das Minas do Rei Salomão, ou até mesmo encontrar o suntuoso Reino Africano de Preste João e, assim, localizar os “Portais do Paraíso”. 

Foi navegando em direção às Índias que, em 1500, treze naus portuguesas “esbarraram” no Brasil. 

Nas areias da praia, o nativo dançava em alegre ritual. Guiados pelos Xamãs, os donos da terra migraram do interior para o litoral em busca de “Yvy Mara Ey”, a “Terra dos Sem Males”, o paraíso Tupi-guarani, e que, na visão dos pajés, estaria do outro lado da imensidão das águas. 

Em sua pureza e ingenuidade, o índio viu naquela gente que saía do mar verdadeiros Deuses que, finalmente, o conduziriam aos “Jardins Purificados”. 

Já os navegadores, deslumbrados com a nudez e a aparente inocência dos nativos, viram neles a própria imagem do homem antes de ser expulso do Paraíso, materializando na América a visão renascentista do Éden terrestre. 

Afinal, as sugestões edênicas estavam por toda parte e faziam uma mágica ligação entre o “Velho” e o “Novo” Mundo. Dessa maneira, o maracujá se transforma em pomo edênico, assim como as bananas cortadas exibiam aquele sinal à maneira de crucifixo por elas manifesto. 

A Fênix é  o Guainumbi ou Guaraciaba; outros acreditavam mesmo tê-la visto na figura do beija-flor, enquanto os papagaios, para muitos, eram, na verdade, anjos castigados que ganharam a forma de pássaros. 

Mas os boatos sobre cidades bordadas de ouro e pedras preciosas, as notícias de montanhas resplandecentes e lagoas douradas, comuns entre os indígenas, rapidamente levaram o invasor europeu a embrenhar-se pelos sertões desconhecidos, maculando o “Paraíso Brasil”. 

E, assim, os índios dançaram e o Brasil sambou! 

O que de bom encontrava-se aqui foi parar na Europa. Animais, plantas e até  mesmo “exemplares” do nosso “bom selvagem” foram “exportados”, causando enorme rebuliço do outro lado do Atlântico. 

Enquanto, do lado de cá, o povo sofria com a “Derrama” – um verdadeiro “Quinto” dos infernos – no lado de lá, as farras das Cortes de Portugal e Inglaterra eram bancadas com o ouro do Brasil. O jeito era rezar uma novena para o “santo do pau oco”! 

O tempo passou, mas continuamos cortando o pau, matando os bichos, vendendo as plantas, envenenando as águas, queimando os índios e mandando pra longe nossas riquezas! 

Calculistas e mercenários, criamos o nosso próprio Paraíso terrestre e batizamos com o nome de “Paraíso Fiscal”. Ali, abençoados pela generosidade financeira, protegemos nossas “verdinhas” em “espécie”. Mas não se enganem pensando que se trata da flora tropical bem preservada. Neste caso, nos referimos às cédulas de dólar depositadas em contas pra lá de suspeitas. 

Já os exemplares da nossa fauna contrabandeada desde sempre, agora, são enviados do “Paraíso Brasil” diretamente ao “Paraíso Fiscal”, sem taxação, estampadas nas notas do nosso Real. 

No fundo, queremos mesmo é preservar as “araras” que valem “dez reais”. Defendemos, bravamente, os “micos-leões-dourados” que estão cotados a “vinte”. Brigamos como loucos pelas “onças pintadas”, ou seria por “cinquenta reais”? Tira a mão que ninguém vai “pescar” minha “garoupa” de cem reais, não! Ora, quem sabe se numa sombrinha agradável lá nas Ilhas Caymãs elas não se reproduzam rapidamente? 

Diante desse “Capitalismo selvagem”, até mesmo um “pedacinho do Paraíso” é possível se comprar. Um carrão novinho também dá direito a chegar lá. E o que falar da ida ao shopping com dinheiro pra gastar? E se faltar din din, há cartões de crédito, cheque especial e crediário, todas as facilidades do mundo no “Paraíso do Consumo”! 

Mas nós somos a Mocidade e, independentes, podemos ir a qualquer lugar. 

Vamos fazer a nossa parte! Querer é poder, e o amor constrói. É possível descobrir o nosso próprio paraíso, afinal, ele está perto de nós, dentro de nós mesmos, em nosso interior. 

Vamos jogar fora as amarguras do dia-a-dia e nos vestir com a fantasia que sempre sonhamos: milionário ou plebeu, rainha ou camelô, desempregado ou doutor, um nobre ou apenas um sonhador.

Afinal, hoje é carnaval, e se você sabe o que procura, tudo é possível no “Paraíso da Loucura”!  

Está  esperando o que pra ser feliz? 
 

Cid Carvalho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Com que roupa... Eu vou?
Pro Samba que você me convidou.”

Moda e arte sempre caminharam juntas, mesmo que inconscientemente.

A cada mudança de pensamento, de comportamento e de linguagem artística, o homem acompanhava com a sua maneira de vestir esta evolução.

É possível contar a história da humanidade de diversas maneiras, mas sempre que nosso interesse for a arte, veremos a moda, ao seu lado, se apropriando destas características artísticas para si, e então, poderemos compreender, através da maneira do homem se vestir, como ele se comportou social, política e economicamente, pois a maneira de pensar vai influir diretamente nas suas escolhas estéticas.

A Moda é  uma arte que não veste telas nem muros, ela se expressa no movimento dos corpos, de acordo com a ideologia, o desejo de cada um.  Como os belos quadros, ela representa a voz do seu criador. 


“A moda é passageira, sua história, não”

Marco Sabino 
Antes da Moda 
O homem nasceu nu.

Não se sabe ao certo a partir de quando ele começou a se vestir, aliás, a se cobrir com a pele dos animais. Terá sido por proteção? Por misticismo? Isto nunca saberemos, mas, a partir dali, estava plantada a semente da vaidade no ser humano e a sua vestimenta vai passar, durante muitos séculos, a determinar a sua condição social.

E a arte já  estava presente ali, pois o homem passa a se expressar através de pinturas e desenhos nas cavernas. O conceito ainda não estava formado, mas era um embrião. 

Quando falamos em moda na pré-história a primeira imagem que nos vem à mente são os Flintstones, que  nos leva a fantasiar que naquela época tudo era “fashion”, divertido. Mas das peles costuradas com tripas de animais por agulhas de marfim até a invenção do tear, vão-se muitos milhares de anos. 

Na Antiguidade, tivemos o surgimento de grandes civilizações, que se caracterizavam principalmente pela religiosidade. A distinção social vai ficar muito acentuada neste período, pois quanto mais tecido, maior o poder. Neste período os ornamentos e as jóias vão começar a ganhar destaque.

Nem sempre os homens usavam calças e as mulheres saias, isso é coisa moderna. Algumas vezes já foi o contrário, pois de um quadrado de pano, eram feitos saias, saiotes, túnicas que eram amarradas, costuradas ou drapeadas, que em alguns momentos nos remetem à arquitetura lembrando as colunas dos templos. 

E a roupa escurece, ganha tons sóbrios, a arte também. A religiosidade aflora. A arte era inspirada pela fé e a roupa segue o mesmo caminho. A silhueta não era o mais importante, e sim a quantidade de tecido que a cobria.

A intenção era tocar a Deus, chegar mais perto do céu, e assim a silhueta foi se alongando, lembrando as torres das catedrais. Os vitrais góticos vão influenciar em cores a indumentária, mas sempre com ares sombrios.

Este período marca uma descoberta que vai acompanhar o homem até nossos dias e vai exercer um papel fundamental na sua vaidade: o espelho.

Narciso mandou lembranças! 

No renascer do homem, nasce a moda 

Renasce o homem, surge a burguesia, o brocado, o veludo, e com eles o alfaiate. Os tempos eram outros, e a roupa mudou. A busca do ideal de perfeição, representada nas artes, também se faz presente nas roupas.

O homem voltou a olhar para si.

O mundo começou a se movimentar, e o homem vai começar a movimentar também a sua maneira de vestir, e essas mudanças se tornarão cada vez mais freqüentes.

A ciência e a razão são mais fortes que a emoção, e com isso surgem as golas, que vão se tornar cada vez maiores, para valorizar a mente, em sobreposição ao corpo, e aos mais pobres também. 

Em contraposição a este ideal, vemos surgir mais tarde, um novo movimento que mostra certa tendência ao bizarro, ao assimétrico, ao extravagante, ao apelo emocional. O Rei francês Luiz XIV vai marcar este período como o grande responsável pelas extravagâncias da época, que serão assimiladas por toda a Europa.

As roupas masculinas se sobrepõem às femininas, ganhando ares de fantasia, com as silhuetas mais amplas.

Perucas, rendas, fitas, salto alto, plumas... E as mulheres ficam para trás.

E as artes seguem este mesmo caminho barroco, caracterizado pela monumentalidade das dimensões, opulência das formas e excesso de ornamentação.

O homem, aos poucos, vai se tornando mais romantico, sem deixar de lado os exageros. Tudo é mais leve, foi um período de liberdade de movimentos, da sensibilidade e do espírito.

As pessoas pareciam bonecos de porcelana, com perucas e cabelos empoados, lembrando verdadeiros bibelôs.

Os homens vão ficando mais esbeltos no vestir deixando de lado a exuberância e entregaram-na as mulheres, que trouxeram para si o direito as transformações, com anáguas imensas e cinturas finíssimas.

O homem do rococó é um cortesão, amante da boa vida e da natureza.  

Com o período neo clássico, vão surgir os primeiros figurinos de moda, e a influência grega vai determinar não somente a arte como a moda. A silhueta se afina e se alonga, desaparecem as caudas, lembrando novamente colunas, e o homem se simplifica cada vez mais. 
 

Um novo tempo 

Vira o século, novos rumos, novos ares, novas artes.

Uma arte nova vai dar à moda uma nova linguagem. A mulher fica mais sinuosa, as linhas são mais leves, chapéus, laços e flores. O mundo fica mais rápido e isto vai influenciar o vestir. As mudanças são mais rápidas, assim como os movimentos dos artistas.

Começam a surgir os primeiros estilistas e a cada dia surgem mais e melhores.

O mundo avança, novos movimentos vêm em contraponto a esta nova arte, mais moderna, mais geométrica.

A moda já  tomou conta do mundo, ele se torna cada vez menor e mais rápido. E ela vai se tornando cada vez mais efêmera.

A cada dia, novos traços, novos modelos, novas coleções e o homem quer sempre mais, pois moda é tudo, menos tédio. 

O que ficará  de herança para a história neste século? É difícil saber, mas temos certeza que alguns momentos se eternizarão: a invenção da mini-saia, do jeans e da camiseta. Isto ficará para a história, juntamente com um personagem desse tempo que jamais será esquecido: Mademoiselle Coco Chanel. Ela deixou de criar moda para criar estilo. 

Antropofagia 

E o Brasil?

Como num movimento antropofágico, nós absorvemos todas essas influências e hoje fazemos uma moda com a cara do Brasil, atraindo os olhares do mundo para a nossa arte. Arte sim, pois fazer moda é fazer arte, é contar História, observando e utilizando as formas que também estão na arquitetura, na escultura, na pintura, na musica, na literatura e, sobretudo, no véu cultural que já cobriu ou irá cobrir nossa sociedade. 

“Moda é oferta. Estilo é escolha. Faça as suas”

Glória Kalil 

 
G.R.E.S. PORTELA

G. R. E. S. GRANDE RIO

'Derrubando fronteiras,
conquistando liberdade...
Rio de paz em estado de graça!'

"O homem vive de razão e sobrevive de sonhos"

La Rochefoucauld* 

Tens um computador,

finalmente a nova era chegou...

Ligado à rede mundial

És um doutor, um sábio, mestre.... Educador

Em saber universal;

Basta pesquisar, para novos vôos alcançar,

E tens muito a colher;

Para estudar

E aprender;

Podes trabalhar e se atualizar

Ou usá-lo para lazer;

Podes ensinar

E aprender,

Com paciência

E algum vigor;

Descobrir a ciência,

Ou ser um jogador;

Tens poder para comunicar,

Ler e escrever;

Para seres um pesquisador;

Sem saíres do teu lugar

Podes ser um ator;

Podes viajar, acreditar

Podes lutar;

Ter um saber para ganhar

E ser carioca, para sonhar, num outro plano acreditar

Se tiveres informatizado

Conquistar é preciso...

Derrube as barreiras... Acredite!

Viva a liberdade com a paz do amanhecer

Num Rio de Janeiro que, vislumbra melhorias

Através dessa ferramenta de inclusão e socialização...

Vamos viver em estado de graça! 
 

    * Moralista francês do século XVII, célebre por suas máximas 

INTRODUÇÃO 

“... Um grito proclamado pelas vozes do silêncio, pelos navegantes democráticos, pelos marginalizados tecnológicos, pelos “infonautas” do desejoenseja o atual momento. Vivemos numa sociedade partida/repartida pela exclusão econômica e social. Agora, o acesso à informação transformou-se em instrumento de inclusão das comunidades excluídas devido ao seu potencial interativo, dinâmico, formador de opiniões e disseminador de idéias . Nesse contexto, surgem, nos mais diversos “cibercantos” do país, grupos, entidades, intelectuais, artistas,  reunidos num grande cordão interativo, em busca do acesso pleno da informação e da comunicação em tempo real. Esse movimento possibilita  ligar os mais variados segmentos, romper o isolamento e  tem influído na inclusão dos excluídos na instauração do  processo da “cibermania”. As pessoas e a vida das cidades estão cada vez mais articuladas com a tecnologia e a ciência da informação.É urgente a necessidade de tornar acessíveis esses novos conhecimentos e recursos, sobretudo para os setores marginalizados pela exclusão social. Nesse sentido, a nossa luta pela democratização da informação representa um grande passo para a ampliação do exercício da cidadania e pela difusão do bom uso das  novas tecnologias. Desnecessário falar da  importância de você chegar e “plugar-se”. Saiamos da imobilidade e conectemos os laços que nos unem, visando criar uma nova realidade, não somente  virtual mas também que seja palpável, transformável, interagível... Precisamos agir velozmente, pois o “tempo não para”, nem espera, porém o agir exige precisão e rumo...

Micreiros e micreiras de todo mundo, uni-vos on line!.” 

SÍNTESE 
 

Um novo mundo é possível em função do rápido avanço da ciência e das tecnologias de informação.  

Dar-se-á  o “login” ao nosso Rio de Janeiro como Portal Digital do Brasil… Centro de referência tecnológica, “host” que proporcionará, assim, a utilização da “Internet” como ferramenta de melhoria em nossa qualidade de vida… Os benefícios são muitos, em várias áreas de atuação, que contribuirão para chegarmos ao tão sonhado estado de graça, tais como: inclusão social, democracia, cultura, arte, sustentabilidade, educação, saúde, desenvolvimento humano e paz... Portanto, o objetivo desse enredo é estimular a reflexão sobre os múltiplos usos dessa nova ferramenta de conexão interpessoal, que está transformando nossas vidas por completo e  propiciando a redução das desigualdades históricas em nossa sociedade… Banda larga, intervenção cirúrgica por robótica, educação à distância, videoconferência, “games” e “download” de áudios e de vídeos são apenas alguns dos vários recursos disponibilizados com a chegada dessas novas tecnologias. Diferentes serviços estão disponíveis e outros tantos estão a caminho. A previsão do futuro é “update”! Digite sua “password”, pois o acesso é personalizado e único,  e  encontre-se com a magia do samba que irá te transportar ao infinito e  fazer navegar pelo browser universal “por um mundo desconhecido”… Assim, o GRES.PORTELA escolheu para 2010 o tema da Inclusão Social por meio dos acessos às novas tecnologias de informação. Acreditamos que, através da inclusão social, os poderosos podem se redimir das iniqüidades que sempre cometeram contra os menos favorecidos, voltando-lhes as costas e mantendo-os afastados do acesso ao conhecimento, fator principal da criação de oportunidades para o progresso humano. Ao adotá-lo, assim, se identifica com nosso festejado e imortal compositor Candeia, em sua obra-prima “Dia de Graça”, na qual vislumbrava uma sociedade em que os excluídos conseguiriam ascender socialmente.... 
 

GLOSSÁRIO 

  • Acesso: Entrada em um web site ou entrar na própria Internet através de uma conexão.
  • Backbone: É a “espinha dorsal” da internet. É o conjunto de equipamentos que faz a conexão da internet entre o Brasil e o mundo.
  • Baixar: O mesmo que download, ou seja, trazer para seu computador um programa, um texto ou uma imagem.
  • Banda Larga: tipo de conexão rápida pela Internet. 
  • Chat: Um bate-papo através do uso de computadores.
  • Ciberespaço: É o ambiente da Internet.
  • Conexão Móvel – Uma ligação que continua ativa, mesmo quando o usuário se desloca por uma região da cidade.
  • E-mail: Correio eletrônico.
  • E-topia: A utopia, o “sonho” de um mundo melhor, construído com o apoio da tecnologia digital.
  • Internautas: Os usuários da Internet.
  • Internet: Imensa rede de redes que se estende por todos os países. Os meios de ligação são: rádios, linhas telefônicas, roteadores, satélite, bridges, hubs e switches.
  • Login: Identificação de um usuário em um computador. Fazer login é o ato de dar a sua identificação de usuário ao computador.
  • Listas de Discussão: Um serviço da Internet que um grupo de pessoas troca de mensagens por e-mail entre todos os membros do grupo.
  • On line: Significa “estar em linha”, estar ligado a um computador.
  • Robótica: Parte da tecnologia que estuda e desenvolve equipamentos compostos de partes mecânicas controladas por computador. Ou seja, é o ramo da ciência que estuda como podemos construir e utilizar robôs.
  • Smartphone: Telefone celular que possui, entre outros recursos, o recurso de acesso à Internet.
  • Videoconferência: Uma conversa entre pessoas que estão separadas geograficamente, mas que, com o auxílio de recursos tecnológicos, podem ter o contato visual e sonoro.
  • (World Wide Web| www: Rede de comunicação que permite o uso de imagens e textos na Internet.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & HEMEROGRAFIA 

  • CANTON, James, Technofutures.; Como a tecnologia de ponta transformara a vida no século 21. São Paulo: Best Seller LTDA, 2004.
  • DAVIS, Mike, Planeta Favela/ Mike Davis. São Paulo: Boitempo, 2006.

Colaboração: Artur Gomes, Carlos Monte e Marcio Egydio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Das Arquibancadas ao Camarote Nº1
Um “Grande Rio” de Emoção
Na Apoteose do Seu Coração"

O ENREDO 

Das Arquibancadas ao Camarote Nº1
Um “Grande Rio” de Emoção
Na Apoteose do Seu Coração
O Maior Espetáculo Democrático do Planeta 

É carnaval, a festa do povo!

A maior ópera popular do planeta.

Chegou à hora de deixar a emoção tomar conta de nós.

E de braços abertos receber mais uma vez o povo, para o maior espetáculo a céu aberto do mundo.

Uma festa de cores, sabores, alegria, fantasia e ilusão.

Uma festa do povo para o povo e que milhões de pessoas já assistiu.

Por aqui já passaram verdadeiros Reis e Rainhas, Príncipes e Princesas, Políticos de diversas áreas, Autoridades de vários países, Astros Hollywoodianos e grandes Celebridades do jet-set Nacional e Internacional.

Ao longo desses anos de carnaval, vimos muitos foliões por aqui, sejam nas eufóricas e animadas arquibancadas ou nos inúmeros camarotes que cercam o Sambódromo carioca.

E para revivermos esses momentos gloriosos do carnaval, vamos recebê-los no grande camarote da folia, o nº1 da Passarela do Samba, para que todos possam reviver as grandes emoções que marcaram a história de sucesso do carnaval carioca.

Nessa festa onde o pobre vira rico e o rico vira pobre, é possível sonhar e para realizar só depende de você.

Na explosão de energia do setor 1, aos gritos de - É Campeã! Do setor 13, o coração bate mais forte, num passe de mágica os pés se soltam do chão e a mente começa a girar. Somos loucos, gênios, artistas, reis e rainhas desse mundo encantado da folia.

Então pegue sua fantasia e venha com a gente brincar o carnaval.


Da Praça Onze à Praça da Apoteose - “A Praça é do Povo”

Se em outros tempos, os espaços desta festa eram outros, esses foram insuficientes para a proposta da grandiosidade da festa, que já possuía todo o apelo cultural compatível a cidade do Rio de Janeiro.

Era um esforço sobre-humano a montagem e desmontagem do espetáculo. Até que a sensibilidade do olhar de um grupo de visionários, fez com que o tão sonhado espaço do carnaval se tornasse realidade.

Eles eram a própria “cara” da construção desse sonho, um mix político, cultural e social, emparedando-se na idéia da construção e realização desse palco tão sonhado.

Partindo da idéia de que no carnaval tudo começa pelo desenho, assim também começou a ser costurada a idéia do espaço que partiria da Praça Onze, berço do samba carioca em direção a Praça da Apoteose, num pensamento sociabilizado de que “a Praça é do povo” e é nela que o povo manifesta a sua cultura.

A partir daí, sobre os traços preciosos e arquitetônicos de Oscar Niemeyer, sob a visão antropológica de Darcy Ribeiro, numa parceria perfeita inspirada em Amaury Jório e Ismael Silva, onde nesse espaço conviveriam harmoniosamente cultura e educação e na liderança política do, então governador Leonel Brizola, nasce em tempo recorde o grande palco das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro.

Com a realização da Passarela do Samba, abre-se um espaço maior para a imprensa apresentar o nosso espetáculo ao mundo, quer seja ela nos jornais, revistas, rádio ou televisão, com penetração nacional e internacional, além da internet que faz acontecer em tempo real às notícias que inserem as Escolas de Samba como verdadeiras protagonistas do carnaval, que passam pela Avenida como um “Grande Rio” de emoções que deságua na apoteose de nossos corações.


Mentes Loucas e Brilhantes

A Grande Avenida viria a ser a conclusão final da visão sonhadora e inicial de Fernando Pamplona, que com seu olhar tridimensional e aéreo, voltado para um desfile show, um desfile espetáculo, organizado como num grande teatro.

Sonhar era do artista, afinal, antes de sermos reais, somos sonhados, mas tudo haveria de ter um perfeito entrosamento de espetáculo.

Dele, muitos nasceram e do desencadear dos nascimentos vieram os estilos que marcaram e marcam o carnaval até hoje na era Sambódromo.

Como a própria africanidade de Pamplona; o requinte barroco de Arlindo Rodrigues; o olhar de Lince de Maria Augusta; o tropicalismo de Fernando Pinto; a essência do traço de Viriato comparado a Erté; o rococó de Rosa Magalhães; a paleta mágica de Max Lopes; o high tech e as formas modernas de Renato Lage; o corpo em movimento de Paulo Barros; a genialidade de Joãozinho 30, que com seus ratos, mendigos e urubus encantaram a passarela, num momento único do carnaval, assim como outros brilhantes artistas que nos presenteiam a cada ano com suas fantásticas criações.

Todos representantes de uma imensa classe, que em seus sonhos de criação, mantém viva a grande ópera popular do Brasil.


Operários Guerreiros da Folia

A arte é um dom de Deus e nessa grande alquimia da construção, processada a várias mãos, um exército de mão-de-obra traduz em realidade, o sonho da criação.

O produto final esconde muitas das vezes milhares de varetas de soldas, pregos, blocos de isopor, tintas, pincéis, quilômetros de fios e linhas, variados tipos de tecidos, cola, plumas e tudo o mais que possam reproduzir essa sinfonia carnavalesca não mais sonhada e criada por uma mente, mas num grande trabalho de equipe, onde o que brilha menos é o suor dedicado.

Em suas máquinas, centenas de costureiras, muitas de suas próprias comunidades, começam a dar vida aos figurinos que ilustram o espetáculo. Da simplicidade às fantasias luxuosas, os foliões se deliciam em poder se transformar em qualquer personagem imaginário.

Se um dia fui pobre, não me recordo, hoje moro num condomínio de luxo com todas as mordomias, que um operário da folia merece; desses novos visionários nasceu uma cidade, mas precisamente uma Cidade do Samba, uma grande e fantástica fábrica de sonhos que através de homens e mulheres dotados de dons naturais, transformam sonhos em realidade.


Momentos Inesquecíveis...


Na concentração todas as escolas são campeãs.

Do soar da sirene que marca o início do desfile, ao abrir dos envelopes, o seleto grupo de jurados, amados por uns e odiados por outros, independente do voto popular ou gosto individual por bandeira, determinam campeã, aquela que menos erros cometerem em seu desfile. 

Nesse momento, o técnico e o artístico andarão de mãos dadas na busca de promover sensações inusitadas capaz de retirar das mãos dos jurados, o tão esperado 10.

Canto, dança, harmonia, conjunto, cores, movimentos, mecânica, fogos, muita garra, associados a fantasias e belas alegorias, poderão ser os elementos que definirão a escola campeã. Porém essa vitória será ou não no futuro, uma marca na história do carnaval.

Surgiram então as primeiras campeãs, depois as supercampeãs; vimos Braguinha desfilar, vimos contos de areia brilhar, vimos o inesquecível Ziriguidum 2001, vimos a Vila vestida de palha kizombar, vimos o nu, “sambar” em todos os sentidos, vimos mendigos brincar, vimos a Mocidade virar e virou! Vimos o ITA Salgueirar, vimos a Viradouro incendiar, vimos até um homem voar.


A Voz do Morro, Sim Senhor !!!

Silas de Oliveira, Donga, Ismael Silva, Pixinguinha, Noel, Cartola, Candeia, Xangô, Nelson Sargento, Beto sem Braço, João Nogueira, Aroldo Melodia, Martinho da Vila, D. Ivone Lara, Beth Carvalho, Clara Nunes, Leci Brandão, Paulinho da Viola e muitos outros bambas.

São as verdadeiras raízes desse samba carioca, as vozes do morro são eles mesmos, sim senhor! Assim foram e sempre serão, esses ilustres compositores e intérpretes, cuja arte lhes é nata.

Capazes de promover o elemento vital para o que conhecemos como o verdadeiro sentimento do termo “Harmonia” cheguem muitas das vezes ao brilhantismo das rimas preciosas.

Suas faces na maioria das vezes desconhecidas do grande público são suas obras, entregando o estrelato maior aos intérpretes que também lutaram em seus percursos profissionais e por seus devidos reconhecimentos, que vem dos tempos em que eram rotulados como “boca de ferro” e “puxadores de samba”, como dizia o grande mestre Jamelão - “eu não sou puxador coisa nenhuma eu sou simplesmente um cantor”.

Numa grande aquarela musical, muitas Rodas de Samba ocorridas nas quadras das Escolas, botecos, ou até mesmo em casas de bambas inspiradas em Tia Ciata, divulgaram e projetaram vários músicos que tiveram seus nomes endossados pelos grandes astros do cenário musical do samba e do carnaval.


Planeta Carnaval - O Futuro é Nosso!

E diga que isso aqui não é um planeta!

A maior festa popular do Brasil, conquista o mundo, e em 2010, o sonho da “Feliz Cidade”, representado pela Acadêmicos do Grande Rio, fará uma grande homenagem ao Carnaval Carioca, revivendo momentos que marcaram época; grandes  homens e mulheres que ajudaram a construir a história do maior espetáculo a céu aberto do mundo.

Em 1985, Fernando Pinto sonhou com um carnaval nas estrelas, imaginando como seria o carnaval no futuro; estamos em 2010 e muita coisa mudou, mas ainda não fomos parar nas estrelas, quem sabe no ano 3000.

Personagens populares do carnaval ganham uma nova versão, para representar a folia carioca.

Sonho? Realidade? Onde vamos parar? Como estaria o Sambódromo no Ano 3000? Nossas fantasias e alegorias? Enfim! Vamos sonhar, pois o carnaval nos permite sonhar e viajar nesse mundo que de faz-de-conta não tem nada, um mundo real onde a emoção toma conta de todos nós, que embalados pela magia do samba, transformamos o impossível em realidade.

Nesse momento em que a união faz a diferença e transforma o carnaval nesse planeta mundial, elegemos como porta-voz dessa mensagem, o gari mais famoso do Brasil, Renato Sorriso, símbolo de nosso povo, da força das comunidades, dessa gente simples que protesta cantando e reage sambando, que faz a diferença com toda a humildade, mas mostrando seu valor como protagonista desse grande espetáculo.

Um povo que lota as arquibancadas transformando-a num grande camarote de calor humano e que vibram com sua agremiação, comportando-se como verdadeiros termômetros de emoção.

E é a você folião brasileiro, que canta, dança, chora, vibra que a Grande Rio quer homenagear, ao seu empenho indispensável no resultado positivo no desfile das Escolas de Samba.
Deixe-me, portanto envolver-me no campo magnético dessa nave apoteótica rumo ao futuro e viajar com vocês de encontro às estrelas.

Afinal,
Como será o amanhã? 

Carnavalesco – Cahê Rodrigues 
Colaboração – Hiran Araújo
Lucas Pinto
 

Texto apresentado à Imprensa.

 

G. R. E. S. VILA ISABEL

G.R.E.S. IMPÉRIO SERRANO

Noël: a presença do Poeta da Vila

1910. Ano marcado por grandes transformações, prenunciadas com a passagem do Cometa de Halley. Entre outros fatos: a Revolta da Chibata, liderada pelo “Almirante Negro”, João Cândido, cujo motim ameaçou bombardear o Rio de Janeiro, e o nascimento de Noël de Medeiros Rosa, popularmente conhecido como Noël Rosa, em 11 de dezembro. A partir deste dia, a música popular brasileira nunca mais seria a mesma.  

O pai era um amante da cultura francesa. Pela proximidade com o período das festas natalinas deu ao filho o nome de Noël, termo que equivale a Natal entre os franceses. Também era tradição no bairro de Vila Isabel, no período natalino, passar o rancho, quando todos iam ouvir o canto das “Pastorinhas”. 

Desde sua infância, Noël se revelava irreverente. Ele era da rua. Na escola, gostava das piadas proibidas e das brincadeiras obscenas. Começou estudando numa escola pública, e, depois se transferiu para o tradicional São Bento, onde imperavam os rigores educacionais. 

A rua e os seus tipos eram a sua grande paixão. “Poeta-cronista” da cidade; cidade que cabia em Vila Isabel. Bairro síntese dos personagens cariocas: os pequenos burgueses, o bicheiro, os malandros, o seresteiro, o sinuqueiro, o carteador, o mendigo, o vigarista, o proxeneta, o valentão, entre tantos outros. 

Noël preferia a luz das estrelas à luz solar. Ele acompanhava os cantores da madrugada com o seu inseparável violão. Ficou conhecido pelo bairro. No ano de 1929, um grupo formado por jovens de classe média do conjunto musical Flor do Tempo o convidou para formar um novo grupo: o Bando dos Tangarás, grupo composto por Almirante, Braguinha, Henrique Brito e Alvinho. O conjunto se dedicou à moda da época: a música nordestina; emboladas; sambas com tempero do nordeste; embora, seus trajes e sotaques mais pareciam de caipiras. A indústria e o comércio fonográfico cresciam bastante no Rio de Janeiro, quando foram convidados para gravar pela Parlophon, subsidiária da Odeon. 

A inserção no Bando dos Tangarás abriu o caminho para Noël iniciar sua carreira como compositor popular. Ainda em 1929, ele escreveu a sua primeira composição, uma embolada, intitulada “Minha Viola”. 

Noël Rosa tinha grande admiração por Sinhô, freqüentador assíduo da Casa da Tia Ciata, localizada na Praça Onze, onde os batuques do samba, influenciado pelo maxixe, ecoavam livremente. O “Poeta da Vila”, contudo, se integrou a outro tipo de samba, que veio do bairro do Estácio, onde vivia Ismael Silva, e se espalhou pelos morros da cidade como Salgueiro, Mangueira, Favela, Saúde, Macacos. Noël subiu o morro e se integrou aos sambistas que lá viviam e compôs com alguns deles, como Cartola, do morro da Mangueira, e Canuto e Antenor Gargalhada, do Salgueiro. O “poeta” e Francisco Alves (que juntos fizeram parceria no grupo Ases do Samba) foram os maiores responsáveis pela consagração de diversos compositores negros de samba. 

Este tipo de samba que veio do Estácio, mais marcheado e acompanhado por instrumentos de percussão, era aquele tocado nos blocos, como o “Deixa Falar”, que deu origem à primeira “Escola de Samba”. No carnaval de Vila Isabel havia dois blocos: o Cara de Vaca, organizado, com componentes selecionados e cercados por um cordão de isolamento, e o Faz Vergonha, composto por populares e com sambas improvisados, do qual fazia parte Noël Rosa. As batalhas de confete no Boulevard eram o ponto alto do desfile de blocos. 

Desde a adolescência, Noël adorava as serenatas e serestas. O local favorito das noitadas era o cruzamento do Ponto dos Cem Réis, em Vila Isabel, onde os bondes “mudavam de seção”, ponto de botequins e esquinas. Era ali que se reunia com os amigos e tomava a sua cerveja preferida, a Cascatinha. No Café Vila Isabel, ele compôs a maior parte das suas composições. De bar em bar, em “Conversa de Botequim”, e de amores em amores, como o que sentia por Fina, para quem fez “Os Três Apitos”, teceu suas canções. Freqüentava também os prostíbulos do Mangue, e era fascinado pelos malandros, homens que exploravam as mulheres, minas ou mariposas, e viviam da jogatina. Na Lapa chegou a conhecer o famoso Madame Satã, como também Ceci, a sua “Dama do Cabaré”. 

O ano de 1930 mudou a história do Brasil e a vida de Noël Rosa. Na política nacional, Getúlio Vargas assumiu a presidência do país por meio da chamada Revolução de 30. Nosso “Poeta” gravou o seu primeiro samba de sucesso: “Com que Roupa?”, que fazia alusão, de forma humorada, a um Brasil de tanga, ilhado em pobreza, a fome e a miséria alastrando-se como praga, conseqüência imediata da crise da bolsa de Nova York que abalou o mundo inteiro. O samba conquistou a cidade. A composição de sucesso passou a integrar o programa de diversas peças do teatro de Revista, todas encenadas nos palcos da Praça Tiradentes, que vivia dias de fulgor e esplendor. No mesmo ano, conseguiu ser aprovado no vestibular para a Faculdade de Medicina. Contudo, ficou insatisfeito com o curso e abandonou-o. Ainda assim compôs “Coração”, conhecido como “um samba anatômico”. O “novo regime” de Vargas e suas medidas governamentais também não passariam desapercebidas pelo compositor, ganhando tons de crítica bem humoradas nas letras de alguns de seus sambas como “O Pulo da Hora” ou “Que Horas São?” sobre a criação do horário de verão; “Psilone” composto em função da nova reforma ortográfica; “Samba da Boa Vontade”, sobre o pedido de Vargas aos brasileiros para manter o sorriso, mesmo num momento de crise; e, ainda “Tenentes...do Diabo”, samba jocoso quanto aos tenentes getulistas, rivais dos “Democratas”. 

No começo de 1934 teve início a famosa polêmica envolvendo os compositores Noël Rosa e Wilson Batista. Este último compôs “Lenço no Pescoço”. Noël rebateu com “Rapaz Folgado”. Em resposta, Wilson compôs “Mocinho da Vila”. Ainda no mesmo ano, no período da primavera, Noël compôs “Feitiço da Vila”, uma homenagem para a rainha primaveril de Vila Isabel, Lela Casatle, samba que colocou Noël em evidência, uma vez que o Brasil inteiro cantou a composição. A polêmica deu uma trégua e reacendeu no ano seguinte. O sucesso do “Filósofo do Samba” incomodou Wilson Batista, que gravou “Conversa Fiada”. Noel reagiu com “Palpite Infeliz”. Wilson respondeu com dois novos sambas: “Frankstein da Vila” e “Terra de Cego”.  

Os anos trinta foram a chamada Era do Rádio, consagrada com a criação da Rádio Nacional. Em pouco tempo, o país inteiro ouviria suas rádio-novelas, seus programas de auditório e veria surgir muitas estrelas da nossa música, as chamadas cantoras do rádio. Aracy de Almeida e Marília Baptista foram as maiores intérpretes das canções de Noël. Este também atuou no rádio. No Programa do Casé, de Adhemar Casé, na Rádio Philips, Noël cantava e trabalhava como contra-regra. E, em 1935, Almirante conseguiu-lhe um emprego na Rádio Clube do Brasil, trabalhando como libretista no programa “Como se as óperas célebres do mundo houvessem nascido aqui no Rio”. Escreveu o libreto da ópera “O Barbeiro de Niterói”, uma paródia ao “Barbeiro de Sevilha”. Fez também as revistas radiofônicas “Ladrão de Galinhas” e a “Noiva do Condutor”. As composições de Noël também foram utilizadas no cinema. EmAlô, Alô, Carnaval (1936), compôs “Pierrot Apaixonado”, em parceria com Heitor dos Prazeres. Para o filme Cidade Mulher (1936), ele compôs seis músicas, dentre as quais “Tarzan, Filho do Alfaiate”, em parceria com Vadico. 

No ano de 1937, os céus do Brasil foram atravessados pelo cometa de Hermes. Os cometas inspiraram durante milénios profundos temores na humanidade, que os considerava sinais divinos de maus presságios. O medo persistia. Foi assim com o cometa de Halley naquele ano de 1910 e voltou a ser vinte sete anos depois. E, de fato, realmente foi. Na noite do dia 04 de maio, no mesmo chalé onde nasceu na rua Theodoro da Silva, em Vila Isabel, faleceu Noël Rosa, acometido pelo “mal do século”. 

Da mesma forma que nasceu num ano turbulento, Noël disse “Adeus” num ano de grandes transformações, cumprindo assim um ciclo de mudanças. Ele mudou a história da música popular brasileira. As serestas e serenatas aqui na Terra não seriam mais as mesmas sem a sua presença. Uma outra “Festa no Céu” faria ele entre anjos e arcanjos. Para sua felicidade, não viu a instalação do Estado Novo, com seu caráter repressivo e censurador, nem mesmo a chegada do “Tio Sam”. Não viu também a vida boêmia da Lapa ser susbtituída pelas boates chiques de Copacabana, onde Aracy de Almeida o imortalizou. Também não teve o prazer de ver a fundação do GRES Unidos de Vila Isabel, Agremiação carnavalesca do bairro que tanto cantou. No firmamento do samba, assim como a estrela Dalva, a estrela de Noël, finalmente, no céu despontou e jamais se apagou. Foi o seu “Último Desejo”. Por isso, cantamos: “Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila, ao abraçar o samba”. Saudades de ti, Noël!!!  
 

     Carnavalesco: Alex de Souza

Autores do Enredo: Alex de Souza, Alex Varela (historiador) & Martinho da Vila.

Roteiro e Pesquisa do Enredo: Alex Varela & Alex de Souza

             Texto da Sinopse: Alex Varela 

Bibliografia

CABRAL, Sérgio. No Tempo de Almirante. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991.

                             As Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, 1996. 

CALDEIRA, Jorge. A construção do Samba. São Paulo: Mameluco, 2007. 

MÁXIMO, João; DIDIER, Carlos. Noel Rosa: Uma biografia. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1990. 

Gostaríamos de registrar um agradecimento especial aos jornalistas João Máximo e Sérgio Cabral pelas sugestões que apresentaram para o enredo.

 

"Mangueira é música do Brasil"

Carnavalescos: Jayme Cesário e Jorge Caribé.

A música brasileira é nosso reflexo no espelho, nossa identidade, nossa cara!

Rica, genuína, forte e feliz nos projeta no mundo de forma afirmativa já que a combinação original entre melodia e ritmo é a nossa marca. Motivo de orgulho para todos nós.

A Estação Primeira de Mangueira mergulha de cabeça nesse caldeirão cultural, pois, por tradição, a música brasileira sempre esteve presente em nossos carnavais. Daqui ela se irradia por intermédio de nossos compositores consagrados, luz para muitas canções que se aninharam nos corações de muitos, o que faz da Mangueira, também, referência da música que se faz no Brasil.

A Mangueira sempre soube acolher as mais diversas manifestações da música brasileira. Por aqui transitaram e ainda transitam artistas das mais diferentes vertentes e diferentes tribos.

E a recíproca é verdadeira porque muitos deles também souberam enaltecê-la em canções de exaltação engrandecendo ainda mais a nossa história.

Nessa troca musical, outros foram pela Mangueira homenageados com sambas-enredos, imortalizados em desfiles inesquecíveis, como: Braguinha, Dorival Caymmi e Chico Buarque.

A Mangueira é sim, Música do Brasil!

Nossa pauta musical será composta por diversos gêneros musicais que expressam nossa vocação pela mistura, pela criatividade e pela renovação, tornando sempre vivas as vozes que se multiplicam por todos os cantos do país.

A Música Brasileira hoje está em todas as emissoras de rádio e quem não a colocar na programação perde, de fato, audiência.

A influência estrangeira sempre esteve presente em nossa música, porém reprocessada e misturada com originalidade, resultando em canções maravilhosas, que o mundo aprendeu a apreciar e admirar por sua alta qualidade.

O Brasil ganhava contorno de unidade nacional através das emissoras de rádio, irradiava música para todo o país.

Através das ondas médias, a nossa música "estourou no norte" com baiões, sambas, marchinhas, boleros e toadas que se abrigavam no imaginário popular e davam vazão aos sentimentos. Nuances que nossa música continua a exprimir.

A música se desloca para a praia, com acordes dissonantes e influências jazzísticas e de um jeito mais intimista surge então a bossa nova. Um jeito diferente de cantar o samba, garantindo a mudança que a música procurava e levando seu alcance para além das fronteiras do Brasil.

Nossa música ganha o mundo!

A Mangueira segue sua viagem no tempo e cruza com a Jovem Guarda. De estilo mais romântico, mais ingênuo, revelava um país que abruptamente mudava. Nessa mesma época surgia o Tropicalismo passando o Brasil a limpo e assumindo as nossas diferentes nuances de ser: nuances de erudita, brega, sofisticada com muita criatividade, sendo a alegria a prova dos nove na Geléia Geral Brasileira.

Somos pais genuínos da improvisação, da beleza pura!

E mesmo sob os sombrios anos de ditadura, nossa música soube driblar os rigores da censura de forma criativa, afirmando cada vez mais seu papel de porta-voz da liberdade democrática. Os festivais de música revelam novos talentos e multiplicam-se os gêneros de norte a sul, fundindo-se e aumentando nosso espectro musical com outras mensagens, outros códigos. Nossos ouvidos se abrem para outras paisagens musicais e a música brasileira ganha definitivamente uma nova sigla: MPB.
Brasil mostra sua cara!

E a cada década vai se reciclando ao som das guitarras, das baladas, relendo o rock, agora tomado como nosso: exagerado, romântico, ingênuo e divertido, assim como o funk, originários dos guetos,também atingem todas as classes sociais.

O samba das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é um capítulo à parte nessa história da música do Brasil. O samba traz o mundo para cá. E a Estação Primeira de Mangueira é a expressão máxima desse gênero. Dessa verdadeira Escola de bambas ouvimos canções de Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Padeirinho e Hélio Turco, entre outros?
A voz do Rei da Sapucaí, Jamelão, ainda ecoa em nossos ouvidos? São tantos os artistas que em suas músicas respiram a Mangueira: Alcione, Beth Carvalho, Leci Brandão, Rosemary, Emilio Santiago e tantos outros, que não daria para dissociá-los de sua história e trajetória.

Nesse carnaval o palco é a Passarela do samba e a Mangueira é MÚSICA DO BRASIL!

É Show...

 

Texto apresentado à Imprensa.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

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Criado Por: FK informática