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| Carnaval |
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| Grupo Especial |
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G.
R. E. S. UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR
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G. R. E. S.
IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE
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Título: “DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, O CAVALEIRO DOS SONHOS
IMPOSSÍVEIS”
Autores: Grassano – Gabriel Fraga – Márcio André
Filho – João Bosco – Arlindo Neto – Gugu das Candongas –
Marquinhus do Banjo – Barbosão – Ito Melodia – Léo da Ilha
Intérprete: Ito Melodia
VOLTOU A ILHA
DELIRA O POVO DE ALEGRIA
NESSA FOLIA SOU FIDALGO, SOU LEITOR
CAVALEIRO SONHADOR
MEU MUNDO É DE MAGIA
VOU CAVALGAR NO ROCINANTE
MEU ESCUDEIRO É SANCHO PANÇA
SE DULCINÉIA É MEU AMOR
QUEM EU SOU?
SOU DOM QUIXOTE DE LA MANCHA
O GIGANTE MOINHO
ME VIU DEU NO PÉ
O POVO GRITA..OLÉ
NESSE FEITIÇO TEM CASTANHOLA
A BATERIA HOJE DEITA E ROLA
VESTI A FANTASIA, FUI À LUTA
VENCI MANADAS, REBANHOS
FIZ DE UMA BACIA, MEU ELMO DE GLÓRIAS
MEUS LIVROS SE PERDERAM PELA HISTÓRIA
ENFIM, FUI VENCIDO PELO BRANCA LUA
VOLTEI PRA CASA ESQUECENDO AS AVENTURAS
O TEMPO FICOU COM MEUS IDEAIS
QUIMERAS SÃO IMORTAIS
A ILHA VEM CANTAR
MAIS UM SONHO IMPOSSÍVEL... SONHAR!
QUEM É QUE NÃO TEM, UMA LOUCA ILUSÃO
E UM QUIXOTE NO SEU CORAÇÃO
Presidente da
Escola: Ney Filardi
Quadra da Escola: Estrada do Galeão, 322 – Cacuia – Ilha
do Governador
Tel.:
3396-8169
Home Page:
www.gresuniaodailha.com.br
Arranjo/Regência: Jorge Cardoso
Participação Especial: Coro da Comunidade do G.R.E.S União
da Ilha do Governador
Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda.
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Titulo: “BRASIL DE TODOS OS DEUSES”
Autores: Jeferson Lima – Flavinho - Gil
Branco - Me Leva
- Guga
Intérprete: Dominguinhos do Estácio
TERRA ABENÇOADA!
MORADA DIVINAL
BRILHA A COROA SAGRADA
REINA TUPÃ, NO CARNAVAL…
VIU NASCER
A DEVOÇÃO EM CADA
AMANHECER
VIU BRILHAR A IMENSIDÃO DE CADA OLHAR
NUM PAÍS DA COR DA MISCIGENAÇÃO
DE TANTO DEUS, TANTA RELIGIÃO
PRO POVO, FELIZ, CULTUAR
O ÍNDIO DANÇOU,
EM ADORAÇÃO
O BRANCO REZOU NA CRUZ DO CRISTÃO
O NEGRO LOUVOU OS SEUS ORIXÁS
A LUZ DE DEUS É A CHAMA DA PAZ
E SOB AS BÊNÇÃOS DO CÉU
E O VÉU DO LUAR
NAVEGARAM IMIGRANTES
DE TÃO DISTANTE, PRA SEMEAR
TRAÇOS DE TRADIÇÕES,
LAÇOS DAS RELIGIÕES
OH, DEUS PAI! ILUMINAI O NOVO DIA
GUIAI AO DIVINO DESTINO
SEUS PREGRINOS EM HARMONIA
A FÉ ENCHE A VIDA DE ESPERANÇA
NA INFINITA ALIANÇA
TRAZ CONFIANÇA AO CAMINHAR
E A GENTE ROMEIRA, VALENTE E FESTEIRA
SEGUE A ACREDITAR…
A IMPERATRIZ É UM
MAR DE FIÉIS
NO ALTAR DO SAMBA, EM ORAÇÃO
É O BRASIL DE TODOS OS DEUSES!
DE PAZ, AMOR E UNIÃO…
Presidente da
Escola: Luiz Pacheco Drummond
Quadra da Escola: Rua Prof. Lacê, 235 - Ramos
Tels: 2560-8037
Home Page:
www.imperatrizleopoldinense.com.br
Arranjo /Regência: Jorge Cardoso
Participação Especial: Coro da Comunidade do G.R.E.S.
Imperatriz Leopoldinense
Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda. |
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G. R. E.
S. UNIDOS DA TIJUCA
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G. R. E.
S. VIRADOURO
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Titulo: “É SEGREDO!”
Autores: Julio Alves – Totonho – Marcelinho Calil
Interprete: Bruno Ribas
DESVENDAR
ESSE MISTÉRIO
É CASO SÉRIO, QUEM SE ARRISCA A PROCURAR
O DESCONHECIDO, NO TEMPO PERDIDO
AQUELE PERGAMINHO MILENAR
SÃO CINZAS NA POEIRA DA MEMÓRIA
E BRINCAM COM A IMAGINAÇÃO
UNIDOS DA TIJUCA, NÃO É SEGREDO EU AMAR VOCÊ
DECIFRAR, ISSO EU NÃO SEI DIZER
SÃO COISAS DO MEU CORAÇÃO
EU QUERO VER ESSE
LUGAR
QUE O PRÓPRIO TEMPO ACABOU DE ESQUECER
MEU DEUS, POR ONDE VOU PROCURAR
SERÁ QUE ALGUÉM PODE ME RESPONDER
QUEM SOME NA MULTIDÃO
ESCONDE A SUA VERDADE
IMAGINAÇÃO, O HERÓI JAMAIS REVELA A IDENTIDADE
SERÁ O MASCARADO
NESSE BAILADO UM FOLIÃO?
A SENHA, O SEGREDO DA VIDA
A CHAVE PERDIDA É O "X" DA QUESTÃO
CUIDADO, O QUE SE VÊ PODE NÃO SER... SERÁ?
AO ENTENDER É MELHOR REVELAR
NO SONHO DO MEU CARNAVAL
PARE PRA PENSAR, VAI SE TRANSFORMAR
OU ESCONDER ATÉ O FINAL?
É SEGREDO, NÃO
CONTO A NINGUÉM
SOU TIJUCA, VOU ALÉM
O SEU OLHAR, VOU ILUDIR
A TENTAÇÃO É DESCOBRIR
Presidente da Escola:
Fernando Horta
Quadra da Escola: Rua Francisco Bicalho, 47 - Centro
Tel.: 2516-2749
Home Page:
www.unidosdatijuca.com.br
Arranjo /Regência: Alceu Maia
Participação Especial: Coro da Comunidade do G.R.E.S.
Unidos da Tijuca
Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda.
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Título: “MÉXICO, O
PARAÍSO DAS CORES, SOB O SIGNO DO SOL”
Autores: Floriano do Caranguejo – Gustavo
Marbella – Sacadura Cabral
Intérprete: Wander Pires
Brilhou o quinto sol, o povo se manifesta
sopra um "vento mestiÇo", uma avenida em festa
traz o gÊnio que ilumina a canÇÃo
as cores que dÃo forma À "criaÇÃo"
chegou o Áureo tempo de reviver
a histÓria, o alvorecer, de uma naÇÃo guerreira
os templos sagrados vÃo resplandecer
palÁcios bordados irÃo renascer
obras de uma "
vida inteira"
um dia sangra o chÃo, desejo do invasor
sofri na traiÇÃo do opressor
Chegam piratas, jÓias se vÃo
olhos "vidrados" em busca do ouro
pro fundo do mar vai a ambiÇÃo
ninguÉm vai levar o meu tesouro
Meu sangue eu entrego À terra, À liberdade
"o grito", vai raiar o
sonho de felicidade!
A fÉ que desata os nÓs une a gente de novo
caudilhos guerreiros se abraÇam ao povo
ouve-se a voz da revoluÇÃo
sÃo dias pra guardar no coraÇÃo
eu vi a forÇa da arte popular
e com meus versos "colori" o azul do mar
ao sabor do tempero, receitas pra dar e vender
vi a cidade maior se render À magia de uma paixÃo
a dor da saudade vou festejar, É tradiÇÃo
hoje eu peÇo a sua benÇÃo, senhora do meu coraÇÃo!
Arriba Viradouro!
Uma tequila pra comemorar
um lenÇo vermelho, sombrero na mÃo
o MÉxico em cores vou cantar!
Presidente da Escola: Marco Antônio Lira de
Almeida
Quadra da Escola: Avenida do Contorno, 16 – Barreto -
Niterói
Tel.: 2628-7840
Home Page:
www.unidosdoviradouro.com.br
Arranjo/Regência: Alceu Maia
Participação Especial: Coro da Comunidade do G.R.E.S
Unidos do Viradouro
Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda.
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G. R. E. S.
SALGUEIRO |
G.
R. E. S. BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS
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"Histórias Sem Fim"
Um dia, Johannes Gutemberg sonhou que
queria ser livre, que queria ser livro. Queria ser palavra
escrita, mudar o rumo da História. Ser história. Inquieto
e curioso, começou a transformar seu sonho em realidade na
Alemanha do século XV, quando pressionou o último bloco de
chumbo sobre o papel e colocou o ponto final em sua
obra-prima: a Bíblia impressa.
- Deem-me 26 cavalinhos de chumbo e
eu conquistarei o mundo!
Conquista pelas palavras e pelos
livros, agora impressos a partir de seus inventos e
criações. Ficavam para trás rudimentares papiros, tipos
chineses, pergaminhos, códices e os inacessíveis
manuscritos copiados à mão por monges medievais. Os tipos
móveis sujos de tinta, que um dia fizeram parte de seus
sonhos, imprimem páginas de um novo e importante capítulo.
A primeira impressão, que ficou para a eternidade.
Estava aberto o portal para a
divulgação de ideias e ideais que passaram a ser
difundidos mundo afora. Senha para o início da era dos
grandes livros, das maravilhosas Histórias Sem Fim!
Mãos e máquinas à obra! As páginas
impressas resgatam o passado glorioso de impérios erguidos
sob o signo da compaixão e da fúria de heróis, mitos e
deuses. Feitos épicos imortalizados em Epopeias que
exaltam valores e virtudes de civilizações. As mesmas
palavras edificadas às glórias humanas também descrevem o
renascer de uma era, personificada na figura de um
cavaleiro errante. Os moinhos de vento sopram os ares da
esperança, guiando o homem a uma jornada espiritual rumo
ao paraíso, por tortuosos caminhos... <
... que conduzem o leitor às intrigas
dos nobres encastelados e as revoluções da plebe nos
poderosos reinos do velho mundo. Enredos de delírios de
reis e rainhas, das tramas de um triângulo formado por
donzelas, cavaleiros e cortesãs. É o tempo dos heróis de
capa e espada, dos duelos em nome do coração da bela dama.
Abrem-se as páginas de um romântico jogo de olhares na
cena de um vilão cínico. Ligações perigosas descritas com
minúcia em textos que revelam juras secretas, pactos,
ódios, romances proibidos, suspiros, promessas de amor
eterno...
... que vão influenciar a literatura de
um novo mundo, traduzida na face da fidalga portuguesa
enamorada pelo nativo. Está consumado o enlace que forja o
capítulo romântico de um Brasil miscigenado. Palavras que
navegam sobre um mar de imagens poéticas, descrevendo a
dramática travessia nos porões dos tumbeiros. Na
embarcação, negros e negras que aqui aportam para
transformar e fortalecer as raízes de uma nação. A cada
obra, a crônica de um país que abriga a saga dos heróis
mestiços, do Rio de Janeiro de tantos tipos urbanos e
suburbanos, dos homens e mulheres da Bahia de São
Salvador, dos valentes desbravadores de um sertão fértil
de sonhos...
... e devaneios literários evocados por
palavras mágicas, adormecidas à sombra do livro da
saudade: “Pirlimpimpim”, “Abre-te-Sésamo”, “Abracadabra!”.
Num piscar de olhos, voamos ao tempo do “Era uma Vez...
Uma outra vez!”. Adentramos o portal da fantasia. Aqui, a
imaginação é a máquina veloz que nos leva a qualquer
tempo, a qualquer lugar! Vamos botar o mundo de pernas pro
ar em busca da trilha dos contos fantásticos e lá
encontrar a cidade dos sonhos, o país das maravilhas, o
universo das fábulas inesquecíveis. Veja: bonecos ganham
vida... Ouça: a canção do herói favorito... Sinta: o
pulsar da felicidade inocente nas histórias contadas pela
avó... Quitutes de palavras que trazem cheiros e sabores
da infância, escritas para sempre no coração. É a chave
para despertar a criança que nunca deixou de existir em
cada um de nós na grande aventura de brincar de viver
em...
... um instante: siga o conselho e tome
fôlego antes de prosseguir. Pronto? Lá vamos nós. Aqui
começa nossa viagem pelo mundo da aventura e do suspense,
com personagens e ações se sucedendo num ritmo alucinante
para desvendar o intrigante enigma, encontrar o caminho
para outras dimensões onde habitam monstros, bruxos e
seres sobrenaturais transportados de tempos e espaços
imaginários, guiados por engenhosas palavras que nos fazem
prender a respiração e, num só fôlego, acompanhar todo o
mistério que envolve a trama do primeiro ao último
instante, conduzidos por pistas falsas, ciladas, tramas
cruzadas, perigos, vilões acuados, quebra-cabeças de peças
incompletas, fragmentos que aguçam a curiosidade num ritmo
cada vez mais frenético, até que surge... ufa!
A reviravolta.
O desfecho.
A revelação.
“Como é que não pensei nisso antes?” A
verdade estava diante dos nossos olhos...
... que avançam no tempo e leem um
futuro escrito pelas tintas da incerteza. Ao perder o
domínio sobre as máquinas que inventou, o homem vira refém
da própria criação. São abertas as páginas das ficções
revelando um planeta vigiado por olhos eletrônicos, a
serviço do grande Deus-Máquina que zela por nós. Cérebros
artificiais altamente avançados, capazes de viajar pelo
universo e simular uma realidade tomada pelo caos num
cenário futurista. Estaríamos diante do último capítulo
dessa nova Odisseia? O futuro dirá...
... que é hora de abrir um novo
capítulo, escrever sobre a página em branco a história que
escolhermos. Recriar a própria biografia, desvendar no
grande livro da vida o segredo da felicidade, do
equilíbrio e da paz. Os ensinamentos da Filosofia que nos
apontam os caminhos da sabedoria, das bem ou mal traçadas
linhas escritas no livro místico do destino. Nascerá,
enfim, a obra imortal onde haverá sempre um novo capítulo,
uma nova edição. Um enredo infinito, recontado e ampliado
cada vez que alguém folhear as páginas de tantas Histórias
Sem...
... Fim...
Renato Lage e Departamento
Cultural
Junho de 2009
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"Brilhante ao sol do
novo mundo,
Brasília do sonho à realidade,
a capital da esperança"
Reluz
meu samba como cristal brilhante, a refletir neste
instante, mais um sonho encantado, a emanar sua energia,
como alvorada que anuncia o dia, resplandecendo o
Planalto Central.
Vai
Beija-Flor aventureiro, abre as asas, abraça o cerrado
brasileiro, traz Brasília em seu carnaval...
Faz a
anunciação da terra prometida, entressonhada e
celestial, da divina visão de Dom Bosco, em sua viagem
no espaço do tempo, nos paralelos do futuro virtual. E
torna o mito “Goyaz”, uma verdade, uma história de amor
pra eternidade, de Paranoá, guerreiro, um lago de
lágrimas, de Jaci, um luar de paixão, a espreitar, num
olhar azulado, a bela índia alada, que jaz, por Tupã
enfeitiçada, deitada pra sempre em seu chão.
Emerge
do passado a sua herança, do coração do Egito,
coincidência, inspiração... Aketaton, gêmea ancestral do
deserto, que se esplanou em largos espaços abertos, em
templos, “estelas”, em reverência ao sol, abrindo-se,
feito asas, norte e sul, qual vôo de íbis, ave sagrada,
em seu vôo na imensidão.
Que se
abram suas páginas de história, de desbravamento e
bravura, de onde em busca de riquezas se ergueram
bandeiras, que rasgaram o seu coração, que ainda
criança, pulsava invisível e sereno, entre as matas
desse sertão.
Mostre
que sempre foste um sentimento, sonho e predestinação,
por ser de fato o centro, deste imenso florão e que da
colônia ao império, adormeceste em ideais, como um ponto
de vista de quem enxergou à frente, além da própria
visão pois viste correr o tempo, entre tormentas,
revoltas e insurreições e que da tempestade, sentiste os
novos ventos, que ainda que tarde sopraram a liberdade e
que após “o brado forte e retumbante”, o patriarca te
batiza, de Brasília, afinal.
Que da
inquietude da República foste sempre um desejo, a ânsia
de realizar, e foi assim disposta na carta magna, como
um vislumbre, um definitivo olhar. Viste então a missão
científica, em grande marcha para o Oeste desbravar, e a
medida que ela avança, abrindo a terra agreste e mansa,
veio então te visitar.
Traçaram em seu planalto, um quadrilátero, entre as
tortas árvores do cerrado, fauna e flora a se revelar e
das entranhas do seu solo rubro, rochas cristalinas que
apontam e despontam ao sol a brilhar, de suas veredas,
um seio que esbanja ricos mananciais, desnuda o seu
berço esplêndido e líquido, sul e norte a desaguar.
Por fim
um marco te fecunda a terra, como sêmem de pedra, que do
alto da serra vigia teu sono derradeiro e sob o imenso
céu a contemplar o cruzeiro faz seu ventre guardar
ternamente, o alvorecer do novo tempo brasileiro.
Mas eis
que do horizonte faz luzir a modernidade como um raio
intenso e verdadeiro e de Minas sopra “Venturis”,
varrendo os anos dourados, de esperança e prosperidade,
e JK segue adiante, acordando enfim, o gigante, com seu
ímpeto aventureiro.
E um
país se redescobre ao mirar-se no espelho do futuro, é o
querer, a coragem, o poder e fazer... E uma caravana
parte, épica, qual êxodo caboclo, epopéia de pioneiros,
desterrados candangos, operários guerreiros, vários
Brasis, num só Brasil que se juntam a construir e a
crescer...
De uma
cruz esboçada em papel, ergue-se em aço uma cidade,
elevando-se ao céu em silhueta de arrojo, um prodígio em
traços simétricos, de volume e equilíbrio, abstrata e
concreta, o contraste. Brasília nasce, num parto de
vitória sobre as mentes conformistas e se faz triunfo de
Juscelino, de Lúcio e Oscar, viva e ávida, pássaro dos
sonhos, o próprio sonho querendo voar. E se mostra
assim, branca de luz de sol de abril, de tantas mentes,
de tantos braços, tanto suor, tantas lágrimas, de
tantos, de todos nós, do Brasil!
Hoje,
do Sonho à realidade, ela brilha! E a cada alvorada, se
reinventa e re-existe, virtual e jovem, eclética e
mística, cidade criança e da esperança, a “esquina do
Brasil”, Babel de sotaques, mistura, um caldeirão
cultural, alfabética e numérica, superlativa, absoluta,
sintética, artística, letra e música, Bossa, nova,
nossa, capital... Somos todos partes desse corpo, da
nave-mãe de asas abertas em seu imenso abraço norte e
sul, como ave que hoje voa em nosso mundo encantado, a
terra do carnaval.
Somos
todos “candangos” a construir um sonho, somos “calangos”
irmãos sob o mesmo céu estrelado, somos você, Brasília,
nas asas de um Beija-Flor que vem te beijar agora, como
se fosse flor, A flor do cerrado!
Alexandre Louzada, Fran Sérgio, Laíla e Ubiratan Silva
Comissão de Carnaval
2010
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G. R. E. S.
MOCIDADE
INDEPENDENTE |
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"Do paraíso de Deus ao
paraíso da loucura, cada um
sabe o que procura"
O
Paraíso é a imagem primeira.
Uma
imagem da fartura e da felicidade; um sagrado jardim
onde Deus semeou a fecundidade numa divina evocação da
vida; um abençoado recanto sem doenças, sem inverno e
sem envelhecimento, transmitindo uma mensagem simbólica
e alegórica de paz e harmonia.
A
nostalgia deste estado de graça, arrancado em
conseqüência de uma grave desobediência às leis do
Criador, faz despertar no homem, desde tempos
imemoriais, o desejo de encontrar o Paraíso perdido.
Na
Idade Média, alimentada por uma cruel realidade de
fomes, epidemias e guerras devastadoras, essa nostalgia
fez do Paraíso a própria antítese daquela realidade
decadente e sombria; um “novo” começo onde a pobreza e a
fome acabariam diante de uma terra “sem males”.
Enquanto profetas e visionários desejavam “ver” o
paraíso, cavaleiros e aventureiros se juntavam em
fantásticas caravanas e partiam por terra em busca da
“Fonte da Juventude Eterna e da Árvore da Vida”.
Porém,
novos ventos sopravam em direção ao “Velho Continente”.
O pavor que o “inferno” e a crença na proximidade do
“Fim dos tempos” provocavam ia ficando para trás diante
de uma Europa entusiasmada com os renovados horizontes
renascentistas.
Os
oceanos já não causavam tanto temor e, navegando rumo ao
Oriente, poder-se-ia chegar às Índias, com seus
mistérios e magia. Ainda, quem sabe, desembarcar nas
fabulosas terras de Ofir, guardiãs das Minas do Rei
Salomão, ou até mesmo encontrar o suntuoso Reino
Africano de Preste João e, assim, localizar os “Portais
do Paraíso”.
Foi
navegando em direção às Índias que, em 1500, treze naus
portuguesas “esbarraram” no Brasil.
Nas
areias da praia, o nativo dançava em alegre ritual.
Guiados pelos Xamãs, os donos da terra migraram do
interior para o litoral em busca de “Yvy Mara Ey”, a
“Terra dos Sem Males”, o paraíso Tupi-guarani, e que, na
visão dos pajés, estaria do outro lado da imensidão das
águas.
Em sua
pureza e ingenuidade, o índio viu naquela gente que saía
do mar verdadeiros Deuses que, finalmente, o conduziriam
aos “Jardins Purificados”.
Já os
navegadores, deslumbrados com a nudez e a aparente
inocência dos nativos, viram neles a própria imagem do
homem antes de ser expulso do Paraíso, materializando na
América a visão renascentista do Éden terrestre.
Afinal,
as sugestões edênicas estavam por toda parte e faziam
uma mágica ligação entre o “Velho” e o “Novo” Mundo.
Dessa maneira, o maracujá se transforma em pomo edênico,
assim como as bananas cortadas exibiam aquele sinal à
maneira de crucifixo por elas manifesto.
A Fênix
é o Guainumbi ou Guaraciaba; outros acreditavam mesmo
tê-la visto na figura do beija-flor, enquanto os
papagaios, para muitos, eram, na verdade, anjos
castigados que ganharam a forma de pássaros.
Mas os
boatos sobre cidades bordadas de ouro e pedras
preciosas, as notícias de montanhas resplandecentes e
lagoas douradas, comuns entre os indígenas, rapidamente
levaram o invasor europeu a embrenhar-se pelos sertões
desconhecidos, maculando o “Paraíso Brasil”.
E,
assim, os índios dançaram e o Brasil sambou!
O que
de bom encontrava-se aqui foi parar na Europa. Animais,
plantas e até mesmo “exemplares” do nosso “bom
selvagem” foram “exportados”, causando enorme rebuliço
do outro lado do Atlântico.
Enquanto, do lado de cá, o povo sofria com a “Derrama” –
um verdadeiro “Quinto” dos infernos – no lado de lá, as
farras das Cortes de Portugal e Inglaterra eram bancadas
com o ouro do Brasil. O jeito era rezar uma novena para
o “santo do pau oco”!
O tempo
passou, mas continuamos cortando o pau, matando os
bichos, vendendo as plantas, envenenando as águas,
queimando os índios e mandando pra longe nossas
riquezas!
Calculistas e mercenários, criamos o nosso próprio
Paraíso terrestre e batizamos com o nome de “Paraíso
Fiscal”. Ali, abençoados pela generosidade financeira,
protegemos nossas “verdinhas” em “espécie”. Mas não se
enganem pensando que se trata da flora tropical bem
preservada. Neste caso, nos referimos às cédulas de
dólar depositadas em contas pra lá de suspeitas.
Já os
exemplares da nossa fauna contrabandeada desde sempre,
agora, são enviados do “Paraíso Brasil” diretamente ao
“Paraíso Fiscal”, sem taxação, estampadas nas notas do
nosso Real.
No
fundo, queremos mesmo é preservar as “araras” que valem
“dez reais”. Defendemos, bravamente, os
“micos-leões-dourados” que estão cotados a “vinte”.
Brigamos como loucos pelas “onças pintadas”, ou seria
por “cinquenta reais”? Tira a mão que ninguém vai
“pescar” minha “garoupa” de cem reais, não! Ora, quem
sabe se numa sombrinha agradável lá nas Ilhas Caymãs
elas não se reproduzam rapidamente?
Diante
desse “Capitalismo selvagem”, até mesmo um “pedacinho do
Paraíso” é possível se comprar. Um carrão novinho também
dá direito a chegar lá. E o que falar da ida ao shopping
com dinheiro pra gastar? E se faltar din din, há cartões
de crédito, cheque especial e crediário, todas as
facilidades do mundo no “Paraíso do Consumo”!
Mas nós
somos a Mocidade e, independentes, podemos ir a qualquer
lugar.
Vamos
fazer a nossa parte! Querer é poder, e o amor constrói.
É possível descobrir o nosso próprio paraíso, afinal,
ele está perto de nós, dentro de nós mesmos, em nosso
interior.
Vamos
jogar fora as amarguras do dia-a-dia e nos vestir com a
fantasia que sempre sonhamos: milionário ou plebeu,
rainha ou camelô, desempregado ou doutor, um nobre ou
apenas um sonhador.
Afinal,
hoje é carnaval, e se você sabe o que procura, tudo
é possível no “Paraíso da Loucura”!
Está
esperando o que pra ser feliz?
Cid Carvalho
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“Com que roupa... Eu
vou?
Pro Samba que você me convidou.”
Moda e
arte sempre caminharam juntas, mesmo que
inconscientemente.
A cada
mudança de pensamento, de comportamento e de linguagem
artística, o homem acompanhava com a sua maneira de
vestir esta evolução.
É
possível contar a história da humanidade de diversas
maneiras, mas sempre que nosso interesse for a arte,
veremos a moda, ao seu lado, se apropriando destas
características artísticas para si, e então, poderemos
compreender, através da maneira do homem se vestir, como
ele se comportou social, política e economicamente, pois
a maneira de pensar vai influir diretamente nas suas
escolhas estéticas.
A Moda
é uma arte que não veste telas nem muros, ela se
expressa no movimento dos corpos, de acordo com a
ideologia, o desejo de cada um. Como os belos quadros,
ela representa a voz do seu criador.
“A moda é passageira, sua história, não”
Marco Sabino
Antes da Moda
O homem nasceu nu.
Não se
sabe ao certo a partir de quando ele começou a se
vestir, aliás, a se cobrir com a pele dos animais. Terá
sido por proteção? Por misticismo? Isto nunca saberemos,
mas, a partir dali, estava plantada a semente da vaidade
no ser humano e a sua vestimenta vai passar, durante
muitos séculos, a determinar a sua condição social.
E a
arte já estava presente ali, pois o homem passa a se
expressar através de pinturas e desenhos nas cavernas. O
conceito ainda não estava formado, mas era um embrião.
Quando
falamos em moda na pré-história a primeira imagem que
nos vem à mente são os Flintstones, que nos leva a
fantasiar que naquela época tudo era “fashion”,
divertido. Mas das peles costuradas com tripas de
animais por agulhas de marfim até a invenção do tear,
vão-se muitos milhares de anos.
Na
Antiguidade, tivemos o surgimento de grandes
civilizações, que se caracterizavam principalmente pela
religiosidade. A distinção social vai ficar muito
acentuada neste período, pois quanto mais tecido, maior
o poder. Neste período os ornamentos e as jóias vão
começar a ganhar destaque.
Nem
sempre os homens usavam calças e as mulheres saias, isso
é coisa moderna. Algumas vezes já foi o contrário, pois
de um quadrado de pano, eram feitos saias, saiotes,
túnicas que eram amarradas, costuradas ou drapeadas, que
em alguns momentos nos remetem à arquitetura lembrando
as colunas dos templos.
E a
roupa escurece, ganha tons sóbrios, a arte também. A
religiosidade aflora. A arte era inspirada pela fé e a
roupa segue o mesmo caminho. A silhueta não era o mais
importante, e sim a quantidade de tecido que a cobria.
A
intenção era tocar a Deus, chegar mais perto do céu, e
assim a silhueta foi se alongando, lembrando as torres
das catedrais. Os vitrais góticos vão influenciar em
cores a indumentária, mas sempre com ares sombrios.
Este
período marca uma descoberta que vai acompanhar o homem
até nossos dias e vai exercer um papel fundamental na
sua vaidade: o espelho.
Narciso
mandou lembranças!
No renascer do homem, nasce a moda
Renasce
o homem, surge a burguesia, o brocado, o veludo, e com
eles o alfaiate. Os tempos eram outros, e a roupa mudou.
A busca do ideal de perfeição, representada nas artes,
também se faz presente nas roupas.
O homem
voltou a olhar para si.
O mundo
começou a se movimentar, e o homem vai começar a
movimentar também a sua maneira de vestir, e essas
mudanças se tornarão cada vez mais freqüentes.
A
ciência e a razão são mais fortes que a emoção, e com
isso surgem as golas, que vão se tornar cada vez
maiores, para valorizar a mente, em sobreposição ao
corpo, e aos mais pobres também.
Em
contraposição a este ideal, vemos surgir mais tarde, um
novo movimento que mostra certa tendência ao bizarro, ao
assimétrico, ao extravagante, ao apelo emocional. O Rei
francês Luiz XIV vai marcar este período como o grande
responsável pelas extravagâncias da época, que serão
assimiladas por toda a Europa.
As
roupas masculinas se sobrepõem às femininas, ganhando
ares de fantasia, com as silhuetas mais amplas.
Perucas, rendas, fitas, salto alto, plumas... E as
mulheres ficam para trás.
E as
artes seguem este mesmo caminho barroco, caracterizado
pela monumentalidade das dimensões, opulência das formas
e excesso de ornamentação.
O
homem, aos poucos, vai se tornando mais romantico, sem
deixar de lado os exageros. Tudo é mais leve, foi um
período de liberdade de movimentos, da sensibilidade e
do espírito.
As
pessoas pareciam bonecos de porcelana, com perucas e
cabelos empoados, lembrando verdadeiros bibelôs.
Os homens vão ficando
mais esbeltos no vestir deixando de lado a exuberância e
entregaram-na as mulheres, que trouxeram para si o
direito as transformações, com anáguas imensas e
cinturas finíssimas.
O homem
do rococó é um cortesão, amante da boa vida e da
natureza.
Com o
período neo clássico, vão surgir os primeiros figurinos
de moda, e a influência grega vai determinar não somente
a arte como a moda. A silhueta se afina e se alonga,
desaparecem as caudas, lembrando novamente colunas, e o
homem se simplifica cada vez mais.
Um novo tempo
Vira o
século, novos rumos, novos ares, novas artes.
Uma
arte nova vai dar à moda uma nova linguagem. A mulher
fica mais sinuosa, as linhas são mais leves, chapéus,
laços e flores. O mundo fica mais rápido e isto vai
influenciar o vestir. As mudanças são mais rápidas,
assim como os movimentos dos artistas.
Começam
a surgir os primeiros estilistas e a cada dia surgem
mais e melhores.
O mundo
avança, novos movimentos vêm em contraponto a esta nova
arte, mais moderna, mais geométrica.
A moda
já tomou conta do mundo, ele se torna cada vez menor e
mais rápido. E ela vai se tornando cada vez mais
efêmera.
A cada
dia, novos traços, novos modelos, novas coleções e o
homem quer sempre mais, pois moda é tudo, menos tédio.
O que
ficará de herança para a história neste século?
É difícil saber, mas temos certeza que alguns momentos
se eternizarão: a invenção da mini-saia, do jeans e da
camiseta. Isto ficará para a história, juntamente com um
personagem desse tempo que jamais será esquecido:
Mademoiselle Coco Chanel. Ela deixou de criar moda para
criar estilo.
Antropofagia
E o
Brasil?
Como
num movimento antropofágico, nós absorvemos todas essas
influências e hoje fazemos uma moda com a cara do
Brasil, atraindo os olhares do mundo para a nossa arte.
Arte sim, pois fazer moda é fazer arte, é contar
História, observando e utilizando as formas que também
estão na arquitetura, na escultura, na pintura, na
musica, na literatura e, sobretudo, no véu cultural que
já cobriu ou irá cobrir nossa sociedade.
“Moda
é oferta. Estilo é escolha. Faça as suas”
Glória Kalil
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G.R.E.S. PORTELA |
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'Derrubando fronteiras,
conquistando liberdade...
Rio de paz em estado de graça!'
"O homem vive de razão e
sobrevive de sonhos"
La Rochefoucauld*
Tens um computador,
finalmente a nova era
chegou...
Ligado à rede mundial
És um doutor, um sábio,
mestre.... Educador
Em saber universal;
Basta pesquisar, para novos
vôos alcançar,
E tens muito a colher;
Para estudar
E aprender;
Podes trabalhar e se
atualizar
Ou usá-lo para lazer;
Podes ensinar
E aprender,
Com paciência
E algum vigor;
Descobrir a ciência,
Ou ser um jogador;
Tens poder para comunicar,
Ler e escrever;
Para seres um pesquisador;
Sem saíres do teu lugar
Podes ser um ator;
Podes viajar, acreditar
Podes lutar;
Ter um saber para ganhar
E ser carioca, para sonhar,
num outro plano acreditar
Se tiveres informatizado
Conquistar é preciso...
Derrube as barreiras...
Acredite!
Viva a liberdade com a paz
do amanhecer
Num Rio de Janeiro que,
vislumbra melhorias
Através dessa ferramenta de
inclusão e socialização...
Vamos viver em estado de
graça!
* Moralista francês do
século XVII, célebre por suas máximas
INTRODUÇÃO
“... Um grito proclamado
pelas vozes do silêncio, pelos navegantes democráticos,
pelos marginalizados tecnológicos, pelos “infonautas” do
desejoenseja o atual momento. Vivemos numa sociedade
partida/repartida pela exclusão econômica e social. Agora,
o acesso à informação transformou-se em instrumento de
inclusão das comunidades excluídas devido ao seu potencial
interativo, dinâmico, formador de opiniões e disseminador
de idéias . Nesse contexto, surgem, nos mais diversos
“cibercantos” do país, grupos, entidades, intelectuais,
artistas, reunidos num grande cordão interativo, em busca
do acesso pleno da informação e da comunicação em tempo
real. Esse movimento possibilita ligar os mais variados
segmentos, romper o isolamento e tem influído na inclusão
dos excluídos na instauração do processo da “cibermania”.
As pessoas e a vida das cidades estão cada vez mais
articuladas com a tecnologia e a ciência da informação.É
urgente a necessidade de tornar acessíveis esses novos
conhecimentos e recursos, sobretudo para os setores
marginalizados pela exclusão social. Nesse sentido, a
nossa luta pela democratização da informação representa um
grande passo para a ampliação do exercício da cidadania e
pela difusão do bom uso das novas tecnologias.
Desnecessário falar da importância de você chegar e
“plugar-se”. Saiamos da imobilidade e conectemos os laços
que nos unem, visando criar uma nova realidade, não
somente virtual mas também que seja palpável,
transformável, interagível... Precisamos agir velozmente,
pois o “tempo não para”, nem espera, porém o agir exige
precisão e rumo...
Micreiros e micreiras de
todo mundo, uni-vos on line!.”
SÍNTESE
Um novo mundo é possível em
função do rápido avanço da ciência e das tecnologias de
informação.
Dar-se-á o “login” ao
nosso Rio de Janeiro como Portal
Digital do Brasil… Centro de referência
tecnológica, “host” que proporcionará, assim, a
utilização da “Internet” como ferramenta de
melhoria em nossa qualidade de vida… Os benefícios são
muitos, em várias áreas de atuação, que contribuirão para
chegarmos ao tão sonhado estado de graça,
tais como: inclusão social, democracia, cultura, arte,
sustentabilidade, educação, saúde, desenvolvimento humano
e paz... Portanto, o objetivo desse enredo é estimular a
reflexão sobre os múltiplos usos dessa nova ferramenta de
conexão interpessoal, que está transformando nossas vidas
por completo e propiciando a redução das desigualdades
históricas em nossa sociedade… Banda larga, intervenção
cirúrgica por robótica, educação à distância,
videoconferência, “games” e “download” de
áudios e de vídeos são apenas alguns dos vários recursos
disponibilizados com a chegada dessas novas tecnologias.
Diferentes serviços estão disponíveis e outros tantos
estão a caminho. A previsão do futuro é “update”!
Digite sua “password”, pois o acesso é
personalizado e único, e encontre-se com a magia do
samba que irá te transportar ao infinito e fazer navegar
pelo browser universal “por um mundo
desconhecido”… Assim, o GRES.PORTELA escolheu
para 2010 o tema da Inclusão Social por
meio dos acessos às novas tecnologias de informação.
Acreditamos que, através da inclusão social, os poderosos
podem se redimir das iniqüidades que sempre cometeram
contra os menos favorecidos, voltando-lhes as costas e
mantendo-os afastados do acesso ao conhecimento, fator
principal da criação de oportunidades para o progresso
humano. Ao adotá-lo, assim, se identifica com nosso
festejado e imortal compositor Candeia, em
sua obra-prima “Dia de Graça”, na qual
vislumbrava uma sociedade em que os excluídos conseguiriam
ascender socialmente....
GLOSSÁRIO
-
Acesso: Entrada em um web site ou
entrar na própria Internet através de uma conexão.
-
Backbone: É a “espinha dorsal” da
internet. É o conjunto de equipamentos que faz a conexão
da internet entre o Brasil e o mundo.
-
Baixar: O mesmo que download, ou seja,
trazer para seu computador um programa, um texto ou uma
imagem.
-
Banda Larga: tipo de conexão rápida
pela Internet.
-
Chat: Um bate-papo através do uso de
computadores.
-
Ciberespaço: É o ambiente da Internet.
-
Conexão Móvel – Uma ligação que
continua ativa, mesmo quando o usuário se desloca por
uma região da cidade.
-
E-mail: Correio eletrônico.
-
E-topia: A utopia, o “sonho” de um
mundo melhor, construído com o apoio da tecnologia
digital.
-
Internautas: Os usuários da Internet.
-
Internet: Imensa rede de redes que se
estende por todos os países. Os meios de ligação são:
rádios, linhas telefônicas, roteadores, satélite, bridges,
hubs e switches.
-
Login: Identificação de um usuário em
um computador. Fazer login é o
ato de dar a sua identificação de usuário ao computador.
-
Listas de Discussão: Um serviço da
Internet que um grupo de pessoas troca de mensagens por
e-mail entre todos os membros do grupo.
-
On line: Significa “estar em linha”,
estar ligado a um computador.
-
Robótica: Parte da tecnologia que
estuda e desenvolve equipamentos compostos de partes
mecânicas controladas por computador. Ou seja, é o ramo
da ciência que estuda como podemos construir e utilizar
robôs.
-
Smartphone: Telefone celular que
possui, entre outros recursos, o recurso de acesso à
Internet.
-
Videoconferência: Uma conversa entre
pessoas que estão separadas geograficamente, mas que,
com o auxílio de recursos tecnológicos, podem ter o
contato visual e sonoro.
-
(World Wide Web| www: Rede de
comunicação que permite o uso de imagens e textos na
Internet.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS & HEMEROGRAFIA
-
CANTON, James, Technofutures.; Como a tecnologia de
ponta transformara a vida no século 21. São Paulo:
Best Seller LTDA, 2004.
-
DAVIS, Mike, Planeta Favela/ Mike Davis. São
Paulo: Boitempo, 2006.
Colaboração: Artur Gomes, Carlos Monte e Marcio Egydio. |
"Das Arquibancadas ao
Camarote Nº1
Um “Grande Rio” de Emoção
Na Apoteose do Seu Coração"
O ENREDO
Das Arquibancadas ao
Camarote Nº1
Um “Grande Rio” de Emoção
Na Apoteose do Seu Coração
O Maior Espetáculo Democrático do Planeta
É
carnaval, a festa do povo!
A maior ópera popular do planeta.
Chegou à hora de deixar a emoção tomar conta de nós.
E de braços abertos receber mais uma vez o povo, para o
maior espetáculo a céu aberto do mundo.
Uma festa de cores, sabores, alegria, fantasia e ilusão.
Uma festa do povo para o povo e que milhões de pessoas
já assistiu.
Por aqui já passaram verdadeiros Reis e Rainhas,
Príncipes e Princesas, Políticos de diversas áreas,
Autoridades de vários países, Astros Hollywoodianos e
grandes Celebridades do jet-set Nacional e
Internacional.
Ao longo desses anos de carnaval, vimos muitos foliões
por aqui, sejam nas eufóricas e animadas arquibancadas
ou nos inúmeros camarotes que cercam o Sambódromo
carioca.
E para revivermos esses momentos gloriosos do carnaval,
vamos recebê-los no grande camarote da folia, o nº1 da
Passarela do Samba, para que todos possam reviver as
grandes emoções que marcaram a história de sucesso do
carnaval carioca.
Nessa festa onde o pobre vira rico e o rico vira pobre,
é possível sonhar e para realizar só depende de você.
Na explosão de energia do setor 1, aos gritos de - É
Campeã! Do setor 13, o coração bate mais forte, num
passe de mágica os pés se soltam do chão e a mente
começa a girar. Somos loucos, gênios, artistas, reis e
rainhas desse mundo encantado da folia.
Então pegue sua fantasia e venha com a gente brincar o
carnaval.
Da Praça Onze à Praça da Apoteose - “A Praça é
do Povo”
Se em outros tempos, os espaços desta festa eram outros,
esses foram insuficientes para a proposta da
grandiosidade da festa, que já possuía todo o apelo
cultural compatível a cidade do Rio de Janeiro.
Era um esforço sobre-humano a montagem e desmontagem do
espetáculo. Até que a sensibilidade do olhar de um grupo
de visionários, fez com que o tão sonhado espaço do
carnaval se tornasse realidade.
Eles eram a própria “cara” da construção desse sonho, um
mix político, cultural e social, emparedando-se na idéia
da construção e realização desse palco tão sonhado.
Partindo da idéia de que no carnaval tudo começa pelo
desenho, assim também começou a ser costurada a idéia do
espaço que partiria da Praça Onze, berço do samba
carioca em direção a Praça da Apoteose, num pensamento
sociabilizado de que “a Praça é do povo” e é nela que o
povo manifesta a sua cultura.
A partir daí, sobre os traços preciosos e arquitetônicos
de Oscar Niemeyer, sob a visão antropológica de Darcy
Ribeiro, numa parceria perfeita inspirada em Amaury
Jório e Ismael Silva, onde nesse espaço conviveriam
harmoniosamente cultura e educação e na liderança
política do, então governador Leonel Brizola, nasce em
tempo recorde o grande palco das Escolas de Samba da
Cidade do Rio de Janeiro.
Com a realização da Passarela do Samba, abre-se um
espaço maior para a imprensa apresentar o nosso
espetáculo ao mundo, quer seja ela nos jornais,
revistas, rádio ou televisão, com penetração nacional e
internacional, além da internet que faz acontecer em
tempo real às notícias que inserem as Escolas de Samba
como verdadeiras protagonistas do carnaval, que passam
pela Avenida como um “Grande Rio” de emoções que deságua
na apoteose de nossos corações.
Mentes Loucas e Brilhantes
A Grande Avenida viria a ser a conclusão final da visão
sonhadora e inicial de Fernando Pamplona, que com seu
olhar tridimensional e aéreo, voltado para um desfile
show, um desfile espetáculo, organizado como num grande
teatro.
Sonhar era do artista, afinal, antes de sermos reais,
somos sonhados, mas tudo haveria de ter um perfeito
entrosamento de espetáculo.
Dele, muitos nasceram e do desencadear dos nascimentos
vieram os estilos que marcaram e marcam o carnaval até
hoje na era Sambódromo.
Como a própria africanidade de Pamplona; o requinte
barroco de Arlindo Rodrigues; o olhar de Lince de Maria
Augusta; o tropicalismo de Fernando Pinto; a essência do
traço de Viriato comparado a Erté; o rococó de Rosa
Magalhães; a paleta mágica de Max Lopes; o high tech e
as formas modernas de Renato Lage; o corpo em movimento
de Paulo Barros; a genialidade de Joãozinho 30, que com
seus ratos, mendigos e urubus encantaram a passarela,
num momento único do carnaval, assim como outros
brilhantes artistas que nos presenteiam a cada ano com
suas fantásticas criações.
Todos representantes de uma imensa classe, que em seus
sonhos de criação, mantém viva a grande ópera popular do
Brasil.
Operários Guerreiros da Folia
A arte é um dom de Deus e nessa grande alquimia da
construção, processada a várias mãos, um exército de
mão-de-obra traduz em realidade, o sonho da criação.
O produto final esconde muitas das vezes milhares de
varetas de soldas, pregos, blocos de isopor, tintas,
pincéis, quilômetros de fios e linhas, variados tipos de
tecidos, cola, plumas e tudo o mais que possam
reproduzir essa sinfonia carnavalesca não mais sonhada e
criada por uma mente, mas num grande trabalho de equipe,
onde o que brilha menos é o suor dedicado.
Em suas máquinas, centenas de costureiras, muitas de
suas próprias comunidades, começam a dar vida aos
figurinos que ilustram o espetáculo. Da simplicidade às
fantasias luxuosas, os foliões se deliciam em poder se
transformar em qualquer personagem imaginário.
Se um dia fui pobre, não me recordo, hoje moro num
condomínio de luxo com todas as mordomias, que um
operário da folia merece; desses novos visionários
nasceu uma cidade, mas precisamente uma Cidade do Samba,
uma grande e fantástica fábrica de sonhos que através de
homens e mulheres dotados de dons naturais, transformam
sonhos em realidade.
Momentos Inesquecíveis...
Na concentração todas as escolas são campeãs.
Do soar da sirene que marca o início do desfile, ao
abrir dos envelopes, o seleto grupo de jurados, amados
por uns e odiados por outros, independente do voto
popular ou gosto individual por bandeira, determinam
campeã, aquela que menos erros cometerem em seu
desfile.
Nesse momento, o técnico e o artístico andarão de mãos
dadas na busca de promover sensações inusitadas capaz de
retirar das mãos dos jurados, o tão esperado 10.
Canto, dança, harmonia, conjunto, cores, movimentos,
mecânica, fogos, muita garra, associados a fantasias e
belas alegorias, poderão ser os elementos que definirão
a escola campeã. Porém essa vitória será ou não no
futuro, uma marca na história do carnaval.
Surgiram então as primeiras campeãs, depois as
supercampeãs; vimos Braguinha desfilar, vimos contos de
areia brilhar, vimos o inesquecível Ziriguidum 2001,
vimos a Vila vestida de palha kizombar, vimos o nu,
“sambar” em todos os sentidos, vimos mendigos brincar,
vimos a Mocidade virar e virou! Vimos o ITA Salgueirar,
vimos a Viradouro incendiar, vimos até um homem voar.
A Voz do Morro, Sim Senhor !!!
Silas de Oliveira, Donga, Ismael Silva, Pixinguinha,
Noel, Cartola, Candeia, Xangô, Nelson Sargento, Beto sem
Braço, João Nogueira, Aroldo Melodia, Martinho da Vila,
D. Ivone Lara, Beth Carvalho, Clara Nunes, Leci Brandão,
Paulinho da Viola e muitos outros bambas.
São as verdadeiras raízes desse samba carioca, as vozes
do morro são eles mesmos, sim senhor! Assim foram e
sempre serão, esses ilustres compositores e intérpretes,
cuja arte lhes é nata.
Capazes de promover o elemento vital para o que
conhecemos como o verdadeiro sentimento do termo
“Harmonia” cheguem muitas das vezes ao brilhantismo das
rimas preciosas.
Suas faces na maioria das vezes desconhecidas do grande
público são suas obras, entregando o estrelato maior aos
intérpretes que também lutaram em seus percursos
profissionais e por seus devidos reconhecimentos, que
vem dos tempos em que eram rotulados como “boca de
ferro” e “puxadores de samba”, como dizia
o grande mestre Jamelão - “eu não sou puxador coisa
nenhuma eu sou simplesmente um cantor”.
Numa grande aquarela musical, muitas Rodas de Samba
ocorridas nas quadras das Escolas, botecos, ou até mesmo
em casas de bambas inspiradas em Tia Ciata, divulgaram e
projetaram vários músicos que tiveram seus nomes
endossados pelos grandes astros do cenário musical do
samba e do carnaval.
Planeta Carnaval - O Futuro é Nosso!
E diga que isso aqui não é um planeta!
A maior festa popular do Brasil, conquista o mundo, e em
2010, o sonho da “Feliz Cidade”, representado pela
Acadêmicos do Grande Rio, fará uma grande homenagem ao
Carnaval Carioca, revivendo momentos que marcaram época;
grandes homens e mulheres que ajudaram a construir a
história do maior espetáculo a céu aberto do mundo.
Em 1985, Fernando Pinto sonhou com um carnaval nas
estrelas, imaginando como seria o carnaval no futuro;
estamos em 2010 e muita coisa mudou, mas ainda não fomos
parar nas estrelas, quem sabe no ano 3000.
Personagens populares do carnaval ganham uma nova
versão, para representar a folia carioca.
Sonho? Realidade? Onde vamos parar? Como estaria o
Sambódromo no Ano 3000? Nossas fantasias e alegorias?
Enfim! Vamos sonhar, pois o carnaval nos permite sonhar
e viajar nesse mundo que de faz-de-conta não tem nada,
um mundo real onde a emoção toma conta de todos nós, que
embalados pela magia do samba, transformamos o
impossível em realidade.
Nesse momento em que a união faz a diferença e
transforma o carnaval nesse planeta mundial, elegemos
como porta-voz dessa mensagem, o gari mais famoso do
Brasil, Renato Sorriso, símbolo de nosso povo, da força
das comunidades, dessa gente simples que protesta
cantando e reage sambando, que faz a diferença com toda
a humildade, mas mostrando seu valor como protagonista
desse grande espetáculo.
Um povo que lota as arquibancadas transformando-a num
grande camarote de calor humano e que vibram com sua
agremiação, comportando-se como verdadeiros termômetros
de emoção.
E é a você folião brasileiro, que canta, dança, chora,
vibra que a Grande Rio quer homenagear, ao seu empenho
indispensável no resultado positivo no desfile das
Escolas de Samba.
Deixe-me, portanto envolver-me no campo magnético dessa
nave apoteótica rumo ao futuro e viajar com vocês de
encontro às estrelas.
Afinal,
Como será o amanhã?
Carnavalesco – Cahê Rodrigues
Colaboração – Hiran Araújo
Lucas Pinto
Texto apresentado à Imprensa.
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G.R.E.S. IMPÉRIO
SERRANO |
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Noël: a presença do Poeta da
Vila
1910.
Ano marcado por grandes transformações, prenunciadas
com a passagem do Cometa de Halley. Entre outros
fatos: a Revolta da Chibata, liderada pelo
“Almirante Negro”, João Cândido, cujo motim ameaçou
bombardear o Rio de Janeiro, e o nascimento de Noël de
Medeiros Rosa, popularmente conhecido como Noël Rosa,
em 11 de dezembro. A partir deste dia, a música
popular brasileira nunca mais seria a mesma.
O pai
era um amante da cultura francesa. Pela proximidade
com o período das festas natalinas deu ao filho o nome
de Noël, termo que equivale a Natal entre os
franceses. Também era tradição no bairro de Vila
Isabel, no período natalino, passar o rancho, quando
todos iam ouvir o canto das “Pastorinhas”.
Desde
sua infância, Noël se revelava irreverente. Ele era da
rua. Na escola, gostava das piadas proibidas e das
brincadeiras obscenas. Começou estudando numa escola
pública, e, depois se transferiu para o tradicional
São Bento, onde imperavam os rigores educacionais.
A rua
e os seus tipos eram a sua grande paixão.
“Poeta-cronista” da cidade; cidade que cabia em Vila
Isabel. Bairro síntese dos personagens cariocas: os
pequenos burgueses, o bicheiro, os malandros, o
seresteiro, o sinuqueiro, o carteador, o mendigo, o
vigarista, o proxeneta, o valentão, entre tantos
outros.
Noël
preferia a luz das estrelas à luz solar. Ele
acompanhava os cantores da madrugada com o seu
inseparável violão. Ficou conhecido pelo bairro. No
ano de 1929, um grupo formado por jovens de classe
média do conjunto musical Flor do Tempo o
convidou para formar um novo grupo: o Bando dos
Tangarás, grupo composto por Almirante, Braguinha,
Henrique Brito e Alvinho. O conjunto se dedicou à moda
da época: a música nordestina; emboladas; sambas com
tempero do nordeste; embora, seus trajes e sotaques
mais pareciam de caipiras. A indústria e o comércio
fonográfico cresciam bastante no Rio de Janeiro,
quando foram convidados para gravar pela Parlophon,
subsidiária da Odeon.
A
inserção no Bando dos Tangarás abriu o caminho para
Noël iniciar sua carreira como compositor popular.
Ainda em 1929, ele escreveu a sua primeira composição,
uma embolada, intitulada “Minha Viola”.
Noël
Rosa tinha grande admiração por Sinhô, freqüentador
assíduo da Casa da Tia Ciata, localizada na Praça
Onze, onde os batuques do samba, influenciado pelo
maxixe, ecoavam livremente. O “Poeta da Vila”,
contudo, se integrou a outro tipo de samba, que veio
do bairro do Estácio, onde vivia Ismael Silva, e se
espalhou pelos morros da cidade como Salgueiro,
Mangueira, Favela, Saúde, Macacos. Noël subiu o morro
e se integrou aos sambistas que lá viviam e compôs com
alguns deles, como Cartola, do morro da Mangueira, e
Canuto e Antenor Gargalhada, do Salgueiro. O “poeta” e
Francisco Alves (que juntos fizeram parceria no grupo Ases
do Samba) foram os maiores responsáveis pela
consagração de diversos compositores negros de samba.
Este
tipo de samba que veio do Estácio, mais marcheado e
acompanhado por instrumentos de percussão, era aquele
tocado nos blocos, como o “Deixa Falar”, que deu
origem à primeira “Escola de Samba”. No carnaval de
Vila Isabel havia dois blocos: o Cara de Vaca,
organizado, com componentes selecionados e cercados
por um cordão de isolamento, e o Faz Vergonha,
composto por populares e com sambas improvisados, do
qual fazia parte Noël Rosa. As batalhas de confete no
Boulevard eram o ponto alto do desfile de blocos.
Desde
a adolescência, Noël adorava as serenatas e serestas.
O local favorito das noitadas era o cruzamento do Ponto
dos Cem Réis, em Vila Isabel, onde os bondes
“mudavam de seção”, ponto de botequins e esquinas. Era
ali que se reunia com os amigos e tomava a sua cerveja
preferida, a Cascatinha. No Café Vila Isabel,
ele compôs a maior parte das suas composições. De bar
em bar, em “Conversa de Botequim”, e de amores em
amores, como o que sentia por Fina, para quem fez “Os
Três Apitos”, teceu suas canções. Freqüentava também
os prostíbulos do Mangue, e era fascinado pelos
malandros, homens que exploravam as mulheres, minas ou
mariposas, e viviam da jogatina. Na Lapa chegou a
conhecer o famoso Madame Satã, como também
Ceci, a sua “Dama do Cabaré”.
O ano
de 1930 mudou a história do Brasil e a vida de Noël
Rosa. Na política nacional, Getúlio Vargas assumiu a
presidência do país por meio da chamada Revolução de
30. Nosso “Poeta” gravou o seu primeiro samba de
sucesso: “Com que Roupa?”, que fazia alusão, de forma
humorada, a um Brasil de tanga, ilhado em pobreza, a
fome e a miséria alastrando-se como praga,
conseqüência imediata da crise da bolsa de Nova York
que abalou o mundo inteiro. O samba conquistou a
cidade. A composição de sucesso passou a integrar o
programa de diversas peças do teatro de Revista, todas
encenadas nos palcos da Praça Tiradentes, que vivia
dias de fulgor e esplendor. No mesmo ano, conseguiu
ser aprovado no vestibular para a Faculdade de
Medicina. Contudo, ficou insatisfeito com o curso e
abandonou-o. Ainda assim compôs “Coração”, conhecido
como “um samba anatômico”. O “novo regime” de Vargas e
suas medidas governamentais também não passariam
desapercebidas pelo compositor, ganhando tons de
crítica bem humoradas nas letras de alguns de seus
sambas como “O Pulo da Hora” ou “Que Horas São?” sobre
a criação do horário de verão; “Psilone” composto em
função da nova reforma ortográfica; “Samba da Boa
Vontade”, sobre o pedido de Vargas aos brasileiros
para manter o sorriso, mesmo num momento de crise; e,
ainda “Tenentes...do Diabo”, samba jocoso quanto aos
tenentes getulistas, rivais dos “Democratas”.
No
começo de 1934 teve início a famosa polêmica
envolvendo os compositores Noël Rosa e Wilson Batista.
Este último compôs “Lenço no Pescoço”. Noël rebateu
com “Rapaz Folgado”. Em resposta, Wilson compôs
“Mocinho da Vila”. Ainda no mesmo ano, no período da
primavera, Noël compôs “Feitiço da Vila”, uma
homenagem para a rainha primaveril de Vila Isabel,
Lela Casatle, samba que colocou Noël em evidência, uma
vez que o Brasil inteiro cantou a composição. A
polêmica deu uma trégua e reacendeu no ano seguinte. O
sucesso do “Filósofo do Samba” incomodou Wilson
Batista, que gravou “Conversa Fiada”. Noel reagiu com
“Palpite Infeliz”. Wilson respondeu com dois novos
sambas: “Frankstein da Vila” e “Terra de Cego”.
Os
anos trinta foram a chamada Era do Rádio,
consagrada com a criação da Rádio Nacional. Em pouco
tempo, o país inteiro ouviria suas rádio-novelas, seus
programas de auditório e veria surgir muitas estrelas
da nossa música, as chamadas cantoras do rádio. Aracy
de Almeida e Marília Baptista foram as maiores
intérpretes das canções de Noël. Este também atuou no
rádio. No Programa do Casé, de Adhemar Casé, na Rádio
Philips, Noël cantava e trabalhava como contra-regra.
E, em 1935, Almirante conseguiu-lhe um emprego na
Rádio Clube do Brasil, trabalhando como libretista no
programa “Como se as óperas célebres do mundo
houvessem nascido aqui no Rio”. Escreveu o libreto da
ópera “O Barbeiro de Niterói”, uma paródia ao
“Barbeiro de Sevilha”. Fez também as revistas
radiofônicas “Ladrão de Galinhas” e a “Noiva do
Condutor”. As composições de Noël também foram
utilizadas no cinema. EmAlô, Alô, Carnaval (1936),
compôs “Pierrot Apaixonado”, em parceria com Heitor
dos Prazeres. Para o filme Cidade Mulher (1936),
ele compôs seis músicas, dentre as quais “Tarzan,
Filho do Alfaiate”, em parceria com Vadico.
No
ano de 1937, os céus do Brasil foram atravessados pelo
cometa de Hermes. Os cometas inspiraram durante
milénios profundos temores na humanidade, que os
considerava sinais divinos de maus presságios. O medo
persistia. Foi assim com o cometa de Halley naquele
ano de 1910 e voltou a ser vinte sete anos depois. E,
de fato, realmente foi. Na noite do dia 04 de maio, no
mesmo chalé onde nasceu na rua Theodoro da Silva, em
Vila Isabel, faleceu Noël Rosa, acometido pelo “mal do
século”.
Da
mesma forma que nasceu num ano turbulento, Noël disse
“Adeus” num ano de grandes transformações, cumprindo
assim um ciclo de mudanças. Ele mudou a história da
música popular brasileira. As serestas e serenatas
aqui na Terra não seriam mais as mesmas sem a sua
presença. Uma outra “Festa no Céu” faria ele entre
anjos e arcanjos. Para sua felicidade, não viu a
instalação do Estado Novo, com seu caráter repressivo
e censurador, nem mesmo a chegada do “Tio Sam”. Não
viu também a vida boêmia da Lapa ser susbtituída pelas
boates chiques de Copacabana, onde Aracy de Almeida o
imortalizou. Também não teve o prazer de ver a
fundação do GRES Unidos de Vila Isabel, Agremiação
carnavalesca do bairro que tanto cantou. No firmamento
do samba, assim como a estrela Dalva, a estrela de
Noël, finalmente, no céu despontou e jamais se apagou.
Foi o seu “Último Desejo”. Por isso, cantamos: “Quem
nasce lá na Vila, nem sequer vacila, ao abraçar o
samba”. Saudades de ti, Noël!!!
Carnavalesco:
Alex de Souza
Autores do Enredo: Alex de Souza,
Alex Varela (historiador) & Martinho da Vila.
Roteiro e Pesquisa do Enredo: Alex
Varela & Alex de Souza
Texto da Sinopse: Alex
Varela
Bibliografia:
CABRAL, Sérgio. No Tempo de Almirante. Rio de
Janeiro: Francisco Alves, 1991.
. As Escolas de
Samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lumiar
Editora, 1996.
CALDEIRA, Jorge. A construção do Samba. São
Paulo: Mameluco, 2007.
MÁXIMO, João; DIDIER, Carlos. Noel Rosa:
Uma biografia. Brasília: Editora Universidade de
Brasília, 1990.
Gostaríamos de registrar um agradecimento especial aos
jornalistas João Máximo e Sérgio Cabral pelas
sugestões que apresentaram para o enredo.
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"Mangueira é música
do Brasil"
Carnavalescos: Jayme Cesário e Jorge Caribé.
A música brasileira é nosso reflexo no espelho, nossa
identidade, nossa cara!
Rica, genuína, forte e feliz nos projeta no mundo de
forma afirmativa já que a combinação original entre
melodia e ritmo é a nossa marca. Motivo de orgulho para
todos nós.
A Estação Primeira de Mangueira mergulha de cabeça nesse
caldeirão cultural, pois, por tradição, a música
brasileira sempre esteve presente em nossos carnavais.
Daqui ela se irradia por intermédio de nossos
compositores consagrados, luz para muitas canções que se
aninharam nos corações de muitos, o que faz da
Mangueira, também, referência da música que se faz no
Brasil.
A Mangueira sempre soube acolher as mais diversas
manifestações da música brasileira. Por aqui transitaram
e ainda transitam artistas das mais diferentes vertentes
e diferentes tribos.
E a recíproca é verdadeira porque muitos deles também
souberam enaltecê-la em canções de exaltação
engrandecendo ainda mais a nossa história.
Nessa troca musical, outros foram pela Mangueira
homenageados com sambas-enredos, imortalizados em
desfiles inesquecíveis, como: Braguinha, Dorival Caymmi
e Chico Buarque.
A Mangueira é sim, Música do Brasil!
Nossa pauta musical será composta por diversos gêneros
musicais que expressam nossa vocação pela mistura, pela
criatividade e pela renovação, tornando sempre vivas as
vozes que se multiplicam por todos os cantos do país.
A Música Brasileira hoje está em todas as emissoras de
rádio e quem não a colocar na programação perde, de
fato, audiência.
A influência estrangeira sempre esteve presente em nossa
música, porém reprocessada e misturada com
originalidade, resultando em canções maravilhosas, que o
mundo aprendeu a apreciar e admirar por sua alta
qualidade.
O Brasil ganhava contorno de unidade nacional através
das emissoras de rádio, irradiava música para todo o
país.
Através das ondas médias, a nossa música "estourou no
norte" com baiões, sambas, marchinhas, boleros e toadas
que se abrigavam no imaginário popular e davam vazão aos
sentimentos. Nuances que nossa música continua a
exprimir.
A música se desloca para a praia, com acordes
dissonantes e influências jazzísticas e de um jeito mais
intimista surge então a bossa nova. Um jeito diferente
de cantar o samba, garantindo a mudança que a música
procurava e levando seu alcance para além das fronteiras
do Brasil.
Nossa música ganha o mundo!
A Mangueira segue sua viagem no tempo e cruza com a
Jovem Guarda. De estilo mais romântico, mais ingênuo,
revelava um país que abruptamente mudava. Nessa mesma
época surgia o Tropicalismo passando o Brasil a limpo e
assumindo as nossas diferentes nuances de ser: nuances
de erudita, brega, sofisticada com muita criatividade,
sendo a alegria a prova dos nove na Geléia Geral
Brasileira.
Somos pais genuínos da improvisação, da beleza pura!
E mesmo sob os sombrios anos de ditadura, nossa música
soube driblar os rigores da censura de forma criativa,
afirmando cada vez mais seu papel de porta-voz da
liberdade democrática. Os festivais de música revelam
novos talentos e multiplicam-se os gêneros de norte a
sul, fundindo-se e aumentando nosso espectro musical com
outras mensagens, outros códigos. Nossos ouvidos se
abrem para outras paisagens musicais e a música
brasileira ganha definitivamente uma nova sigla: MPB.
Brasil mostra sua cara!
E a cada década vai se reciclando ao som das guitarras,
das baladas, relendo o rock, agora tomado como nosso:
exagerado, romântico, ingênuo e divertido, assim como o
funk, originários dos guetos,também atingem todas as
classes sociais.
O samba das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é um
capítulo à parte nessa história da música do Brasil. O
samba traz o mundo para cá. E a Estação Primeira de
Mangueira é a expressão máxima desse gênero. Dessa
verdadeira Escola de bambas ouvimos canções de Cartola,
Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Padeirinho e Hélio
Turco, entre outros?
A voz do Rei da Sapucaí, Jamelão, ainda ecoa em nossos
ouvidos? São tantos os artistas que em suas músicas
respiram a Mangueira: Alcione, Beth Carvalho, Leci
Brandão, Rosemary, Emilio Santiago e tantos outros, que
não daria para dissociá-los de sua história e
trajetória.
Nesse carnaval o palco é a Passarela do samba e a
Mangueira é MÚSICA DO BRASIL!
É Show...
Texto apresentado
à Imprensa.
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