|
| |
O enredo é de autoria do
carnavalesco Alexandre Louzada e será desenvolvido por
toda comissão de carnaval.
Os compositores ouviram atentamente as explicação de
Alexandre Louzada e levaram a sinopse para começarem a
sonhar. Leia abaixo a sinopse liberada pela divulgação.
Introdução
Nossa relação com a água remete a nossa própria
existência, partindo do princípio que nos desenvolvemos
em uma bolsa de água durante nove meses e a partir daí
esta relação coexiste em nossas vidas: água para beber,
para lavar, curar e purificar.
A
cada época e lugar sentimos essa incontrolável
necessidade de se relacionar com esse elemento da
natureza. Nosso enredo é uma viagem pela relação entre a
humanidade e a água. Mais do que um hábito de higiene, o
banho reflete a história e o desenvolvimento cultural de
um povo e suas crenças, a história do banho traça a
trajetória da civilização.
Partimos de 3 mil anos atrás até a atualidade. Trazemos
à tona esse longo banho, misturando as suas gotas,
significados, símbolos e desejos, personagens anônimos e
lendários que, através dos tempos, testemunharam as
transformações ocorridas com esta prática e os rituais
relativos à ela, bem como alguns aspectos imutáveis ao
longo do tempo, que fazem do banho uma necessidade
inquestionável e eterna.
É
com a limpidez de espírito e com orgulho que a
Beija-Flor de Nilópolis conta este enredo, lavada e
perfumada, em seu momento de estrela, e vem banhar-se de
alegria e beleza, agitando as águas da história e
envolvendo a todos com uma suave espuma de prazer e
felicidade.
Sinopse - 'No chuveiro da alegria quem banha o corpo,
lava a alma na folia'.
Hoje o samba vem mergulhar de corpo e alma no azul
cristalino das águas do tempo, abrindo as comportas da
história, num rio mágico de fantasia que jorra m cores
nesta folia, lavando as manchas do passado, passando a
limpo a humanidade, dando um banho de alegria nesta
maravilhosa cidade.
É
o Beija-Flor que navega nas espumas flutuantes,
atravessando eras, remando em asas, nas águas claras e
fascinantes, da sua fértil imaginação. E inventa assim
num céu para seu vôo encantado, no espelho mágico que
reflete líquido, o néctar doce e puro de sua fonte de
inspiração.
No borbulhar da história, faz emergir o limiar de um
hábito, um milenar costume que o Egito nos ensinou, um
misto de mito, rito e de prazer. Uma dádiva do Nilo, que
ao banhar esse povo moreno, nos legou esse saber.
Saber quão salutar é esta prática, uma receita de bem
viver, um instrumento de beleza. Segredo de uma mulher
que se fez símbolo maior de realeza, a rainha do
deserto, deusa a se banhar de leite e perfume de flor,
com tempero de sedução, que balançou impérios e
conquistou corações.
Vai atravessando a cortina de fumaça que transpõe o
tempo e chega ao Oriente, de onde exala o aroma das
ervas que inebria a alma de água e calor, desvenda essa
nuvem que limpa o corpo e a mente, que transpira os
males, que renova o vigor. Bruma de saúde a se espalhar
em vapor, como sopro divino, vindo do Olímpo de Zeus,
como presente de Grego que o Império Romano recebeu e
que a ele deu ares de festa, erguendo palácios de
luxúria e lazer.
Vai viajar no espaço dos séculos, de um povo a desfrutar
desta alegria limpa e líquida, descobrindo as delícias
da água e do prazer de se banhar. Segue a vastidão de um
Império, se expadindo e fluindo até chegar o momento do
ocaso desse reinado, como um rio que seca, o fim de um
sonho dourado de ter o mundo conquistado.
Por ordem da cruz, em nome de Deus, o hábito é
condenado. E o que outrora dava prazer, ora se torna
pecado, e o suor é o que lava o ?corpo fechado? da
humanidade, que adentra na imunda ?idade das trevas?,
onde o banho é excomungado.
Na escuridão da noite eterna, vai enxugando a
intolerância de um tempo que cobriu a sujeira em vestes
brancas, na busca de um corpo puro, casto e imune, e vai
testemunhar que da mesma cruz e espada que reprime, se
ascende o lume de uma nova era a se despertar. É o tempo
de se lançar às águas em grandes aventuras, rumo ao
descobrimento, tempo de lavar a mente e iluminar a
razão, de procurar um novo mundo e nele encontrar a
pureza. E nos corpos nus, reaprender a lição; se despir
dos valores e mergulhar sem medo no lago natural do
conhecimento, num banho de civilização.
Faz transpirar no velho mundo, esta limpa liberdade
nativa, como a força e a luz do Renascimento, já que a
suja Europa busca na ciência a alternativa misturando
óleos e essências, lançando perfume no ar, num banho de
cheiro a disfarçar o asseio de uma imunda nobreza que,
de cara branca, perucas, jóias e rendas, veste a
hipocrisia em fantasia de limpeza.
Vem mostrar ao povo mal acostumado que os ?humores do
corpo? decorrem do hábito abandonado, que assim disse um
cientista que o micróbio mora ao lado daquilo que não é
lavado, pois o que os olhos não exergam, um bom banho
tira o ?mau olhado?.
Traz à tona um novo tempo, tempos modernos de saúde e
bem viver, onde o banho vira moda e a humanidade assim
limpa e prosa, reinventa esse prazer. Quando o sabão se
torna sabonete, perfume a alcance do povo, este povo que
ao tempo que passa inventa mais um banho novo e segue
cantando no chuveiro, dançando na chuva, dourando ao sol
ou na fria luz da lua, de luxo sob as espumas, de lama e
de loja, pura beleza, se amando de fato num banho de
gato na mais louca safadeza.
E
assim, entre pingos e gotas, jorros e ondas, seguimos na
correnteza deste banho de alegria, que nos traz a
certeza de quem banha o corpo, hoje também lava a alma
nesta folia. O samba, que traz no seu batuque a africana
magia, depois de dar um banho de história e cultura, vem
se banhar em sua fé, e a Beija-Flor vem lavar a
passarela nas cores de uma aquarela, saudando seus
orixás e purificando toda cidade ao se banhar de axé.
Segmentação do enredo
1
- Egito - Origem ao banho
2
- Termas - Luxúria líquida babilônia, turcos, grego e
romanos
3
- Idade Média - Proibição ao banho
4
- Renascimento - Dos maus odores ao banho de civilização
5
- Corte da França - Banho de cheiro disfarçando a
sujeira
6
- Pasteur - Corpo limpo, corpo são
7
- O banho vira moda: de sol, de lua, de gato, de loja e
de cheiro. Dançando na chuva e cantando no chuveiro
8
- Quem banha o corpo, lava a alma - banho dos orixás
|
| |
        |
|
|